Diretoria nacional move ação contra casal por produção de vestuário. E isto não é tudo…

A diretoria nacional dos escoteiros resolveu mover uma ação contra um casal do Paraná que estava produzindo o vestuário por conta própria. Por meio de seu departamento jurídico, a diretoria pede, em tutela antecipada, que o réu se abstenha de comercializar qualquer roupa, alegando que a instituição é a única que pode produzir este tipo de insumo, além de ser a única que pode autorizar a prática do escotismo no país.

O juiz do caso negou a demanda dos Escoteiros do Brasil nos seguintes termos:

O argumento [apresentado pela autora], contudo, contraria o art. 170, “caput”, e inciso IV, da Constituição Federal de 1988, que consagram os princípios da livre iniciativa e concorrência.

Assim, não é porque a Autora é a representante nacional dos escoteiros e detém exclusividade no uso de uniformes e símbolos escoteiros que também detém a exclusividade na confecção de vestuário escoteiro.

A decisão acima está no rodapé deste artigo e vocês podem acompanhar o andamento pelo número que aparece no documento.

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CAN vota “sim” para participação em eventos de países que restringem direitos das mulheres.

Nesta semana, o Conselho de Administração Nacional (CAN) se reuniu para suas deliberações. Entre os itens tratados, havia um (o sexto abaixo) que colocava em pauta se a instituição deveria ou não participar em eventos internacionais em países que violassem direitos fundamentais. No caso da votação, apenas foi dado o exemplo de países que restringem a participação de mulheres na vida social.

Em 10 anos de “Café Mateiro”, este assunto caiu uma e outra vez em pauta. Não há muito, frente às homenagens prestadas pela UEB e pela WOSM ao ditador saudita Abdullah, escrevia que a instituição não somente deveria marcar uma posição contundente, mas deixar claro em congressos da organização mundial que não haveria escotismo em países que não respeitassem os fundamentos básicos do escotismo de inclusão, diversidade de ideias e pensamentos – desde que estas não neguem ou atentem contra a condição humana. No caso do ditador Abdullah, ele havia sido denunciado reiteradas vezes pela Anistia Internacional por perseguir e matar opositores e jornalistas, por trancafiar as filhas para que não saíssem e por condenar à chibata um blogueiro que discordava da política governamental.

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Por que as velhas raposas do escotismo estão frustradas com a não aprovação do novo estatuto?

Com o fim do Congresso e da Assembleia Nacional, hoje deve ser de conhecimento de todos que a nova redação do estatuto não foi aprovada pelos delegados. O texto foi rechaçado na íntegra, apesar das inúmeras manobras políticas e o apoio contundente (como não) da região escoteira de São Paulo – que teve o detalhe de indicar um dos maiores defensores da politicagem das instâncias nacionais como tutor do contingente.

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Ata secreta do CAN nos mostra um outro lado do conselho.

O ano passado, 2018, foi marcado não só pela eleição da nova diretoria executiva nacional (DEN), mas por todas as manobras que envolveram o pleito e os conselheiros do CAN, garantindo a vitória de uma das chapas e a desistência da outra.

A ata em que foi tratada esta eleição, a de número 92 (baixe e leia aqui), divulgada no site da associação nacional, deu a entender que foi um processo tranquilo, com observância da legalidade e dos ritos institucionais. No entanto, a ata fechada que circulou por e-mails de algumas regiões e distritos, e que finalmente chegou a este blog, nos mostra outra coisa. Este documento atesta que existem dois CANs: um que aparece no site e nas atas ordinárias que são publicadas, e outro que realmente governa nas entranhas das salas fechadas – impedindo que associados tomem ciência das decisões que realmente importam, que neste caso foi nada menos que uma eleição para uma diretoria.

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O desfecho da eleição para a DEN foi um dos piores episódios do escotismo brasileiro.

Nenhum escotista que acredite no movimento como opção de desenvolvimento para a juventude e nem mesmo nenhum jovem que queira transformar este mundo deveriam reconhecer a futura Diretoria Executiva Nacional como legítima.

Se o que aconteceu nestes últimos dias pudesse ser encaixado em uma cena de Game of Thrones, veríamos a “nova” DEN caminhando por uma rua lotada de associados gritando “shame, shame”.

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