“Código de Conduta” dos Escoteiros do Brasil.

Antes de dar abertura a este texto, eu recomendo muito a leitura do artigo anterior sobre o “sistema de competências” adotado pela “Escoteiros do Brasil” para sua organização e formação de jovens e adultos. Nele, são abordados assuntos como o fato de a associação estabelecer, ao seu próprio critério, “condutas desejáveis” no que se espera da atuação do voluntariado e no que ele pode pensar ou fazer. Tem muita relação ao que será escrito aqui.

No dia 5 de agosto, três dias depois que este blog pautou as competências, a “Escoteiros do Brasil” lançou um documento chamado “Código de Conduta” em uma live, com a participação do vice-presidente do Conselho de Administração Nacional, o presidente da Diretoria Executiva Nacional, entre outros.

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Escotismo – por que não devemos adotar o sistema de competências? Parte I.

Este blog completou 10 anos em novembro de 2019. Os grandes intervalos entre as últimas publicações foram dedicados à formação acadêmica e profissional… e algum que outro assunto que toma conta desta vida mundana que todos nós temos.

Quanto aos estudos, o autor deste espaço publicou um artigo fora do círculo escoteiro, e nele foi problematizado o programa e ONG “Escola sem Partido”. Para ilustrar este trabalho, também foi abordado o sistema de competências na educação brasileira, que teve seu embrião fecundado nos anos 90, mas acabou sendo formatado com a Reforma do Ensino Médio no governo Temer (PMDB).

Esta reforma acentuou o pacote de destruição do ensino público, e o escotismo no Brasil não apenas ignorou o que ela supõe para a juventude, mas se baseou em seus pontos centrais para estabelecer a nova metodologia de formação para adultos.

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Manifesto pelo Escotismo para todos.

A primeira parte de uma série de artigos sobre as competências – o sistema recém-escolhido como norteador dos Escoteiros do Brasil – está terminada. Mas existem questões mais urgentes que precisam ser tratadas neste blog. Uma outra vez, o que já se torna cotidiano, existem páginas no escotismo que investem dinheiro em publicações para desinformar e confundir.

A página O Escotismo que Queremos, novamente mudando sua linha editorial (o que nunca ocorre para melhor), escreveu um “Manifesto pelo Escotismo Familiar”, seguido de diversos textos. Neles, mistura conceitos, retorce regulamentos e legislação, valendo-se de ironias e lugares comuns para logo tentar agradar a camada nostálgica e ruidosa do escotismo: aqueles cuja linha é a censura e a anulação de posicionamentos por considerá-los “políticos” e “ideológicos”. O autor afirma que conseguiu bastante apoio ao seu posicionamento. E, de fato, conseguiu:

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Programa “Escola sem Partido” dentro do escotismo.

Infelizmente, e uma vez mais, existem páginas que andam propagandeando dentro do escotismo um novo mote para o nefasto “Escola sem Partido”, sob o disfarce de bom-mocismo e de regurgitar regras. A crença é que o movimento deve ser “neutro”, um ideário não só medíocre, mas perigoso. O perigo é que, baixo o discurso fácil de neutralidade, o próprio Escola sem Partido não era neutro, tinha partido e levantava sua própria bandeira ideológica enquanto apontava o dedo aos demais setores da sociedade. E é isso o que fazem muitas páginas de escotismo.

 
Historicamente, as considerações e discussões sobre uma neutralidade na educação formal e não-formal não são novas. Aristóteles afirmava que “todos nós somos políticos por natureza”, explicando nossa natureza de viver em sociedade que precisa tanto de algo como do outro – nada muito diferente do escotismo. Esta relação, explica ele, faz com que pratiquemos necessariamente o que chamou de “política”. O ideal de neutralidade, diante desta concepção, é algo inalcançável na sociedade moderna…e também no movimento escoteiro.

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Escotismo: pandemia e isenção de taxas.

A situação de pandemia e isolamento deixou ainda mais evidente um problema que percorremos há anos no país, e que também afeta o escotismo: aumento de desigualdade e uma importante cifra de desemprego entre a juventude e os adultos.

Antes de desenvolver a questão, é importante que larguemos a ideia de que estamos no mesmo barco, porque não estamos. E os problemas relatados a seguir dão conta disso.

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