Manifesto pelo Escotismo para todos.

A primeira parte de uma série de artigos sobre as competências – o sistema recém-escolhido como norteador dos Escoteiros do Brasil – está terminada. Mas existem questões mais urgentes que precisam ser tratadas neste blog. Uma outra vez, o que já se torna cotidiano, existem páginas no escotismo que investem dinheiro em publicações para desinformar e confundir.

A página O Escotismo que Queremos, novamente mudando sua linha editorial (o que nunca ocorre para melhor), escreveu um “Manifesto pelo Escotismo Familiar”, seguido de diversos textos. Neles, mistura conceitos, retorce regulamentos e legislação, valendo-se de ironias e lugares comuns para logo tentar agradar a camada nostálgica e ruidosa do escotismo: aqueles cuja linha é a censura e a anulação de posicionamentos por considerá-los “políticos” e “ideológicos”. O autor afirma que conseguiu bastante apoio ao seu posicionamento. E, de fato, conseguiu:

– Continuem senhores! A família precisa ser o âmago dessas discussões de cunho íntimo do jovem. Estejamos atentos à doutrinação ideológica!

– O grande problema são as pautas e agendas de militância ideológica e de gênero que não estão no mAAPa, mas são aplicados sem a autorização dos responsáveis preconizada pelo ECA

– O plano metodológico Escoteiro e muito rico com muitas frentes de atividades. O ruim é o método ficar em segundo plano, vi diversas lives da UEB e vi somente foco em ativismo político e ideológico.

– Movimento de apoio a família, exatamente isso, em que pese correntes deturpadoras dentro do movimento.

– Quem deve procurar outra atividade é esta ralé progressista que distorce um movimento centenário.

Sobre as ironias tratadas na página, nunca houve na pauta uma generalização tão torpe como o “Escotismo que Queremos” faz em relação aos escotistas – esta importante base do movimento que parece que sempre terá a culpa por todos os problemas, ainda por aqueles que não existem. O manifesto começa assim:

“Parece que estamos gerando desconforto com nosso posicionamento e criando um incomodo em adultos que se julgam absolutamente livres para uma atuação autônoma no oferecimento de conteúdos não previstos no programa educativo, mas politicamente corretos. Nesse ponto cabe um destaque importantíssimo: precisamos COMPLEMENTAR o que já é ofertado, mas nunca sermos CONTRADITÓRIOS!

O desconforto criado não incomoda os “adultos que se julgam absolutamente livres”, mas toda a comunidade escoteira, a própria instituição e principalmente jovens que batalham para que os escoteiros sejam um pouco mais receptivos com o próximo (como reivindicado na Carta de Natal). Além disso, causa incômodo até mesmo na adesão do escotismo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), cuja agenda contempla a igualdade de gênero e a erradicação das desigualdades, no posicionamento oficial sobre a homoafetividade e sobre a redução da maioridade penal.

O que faz a página, nos artigos seguintes, é confundir ainda mais. Ela tenta relacionar a tolerância como uma posição “político/partidária” e “ativista”, e a partir daqui diz que isso deve ser de incumbência da família. Insinua, ainda que de forma sutil e mudando a opinião que antes tinha, que assuntos como diversidade, homossexualidade, racismo, fascismo, tolerância e intolerância são invariavelmente partidários e que o escotismo tem que se omitir destes assuntos, deixando-os ao seio familiar:

“Logo, somos favoráveis que na condição de chefes escoteiros tenhamos nosso foco nos itens previstos no programa educativo oferecido, nos abstendo de acréscimos desalinhados ao entendimento das famílias, principalmente orientados para fins ideológicos, partidários e eleitorais.”

Toda esta história começou, nesta página, quando seu autor afirmou que os escoteiros não deveriam se envolver solidariamente ao que aconteceu com o George Floyd (leia aqui), nem nos pronunciarmos como “antirracistas” porque isto seria “político” e não estava entre nossos valores. Oras, desde quando solidariedade e empatia não estão entre nossos valores? Desde quando a proposta internacional dos escoteiros para a irmandade, quebrada por grupos que perseguem e marginalizam, não está nos nossos valores? Ainda bem que a própria WOSM, a associação britânica e a própria juventude não pensam assim. As instituições lançaram notas firmes, afirmando que não basta ser contra o racismo, mas antirracistas.

Que a única página que pense diferente seja a “Escotismo que Queremos” não é o problema. O problema é que ela aparece, por muitas vezes, com postagens monetariamente impulsionadas que atingem um público amplo, e me preocupa profundamente que discursos frágeis e miseravelmente contrários ao que se propõe no escotismo cheguem àqueles que não nos conhecem (neste momento, a maioria).

Depois disso, e em tom um pouco mais conciliador, houve uma live promovida pelo Grupo Escoteiro La Salle para tratar sobre o escotismo familiar. E sobre esta live, há considerações.

A família.

Antes, é importante parabenizar o outro participante da live, Fernando Borges, pelas intervenções amenas e explicativas, ainda que não concorde integralmente com elas.

Não vou aborrecer vocês sobre a origem da família, da propriedade privada, ou com as etimologias que correlacionam o vocábulo à escravidão. Vou, também, pelo discurso da cartilha.

É largamente importante que a família esteja no escotismo para que ela mesma seja uma absorvedora e propagadora das nossas ideias.O escotismo e o que defendemos também é para adultos (pais e mães). O movimento escoteiro incentiva (e o P.O.R. também, e já se falará nisso) que nós devemos estar em constante contato com os pais e incluí-los no meio escoteiro, não só para que acompanhem o desenvolvimento da criança, mas para que sejam eles mesmos nossos apoiadores e divulgadores. Esta é a parte bonita do escotismo. A parte da realidade concreta é outra.

As condições sociais impostas pela manutenção e aumento da desigualdade afetam principalmente as famílias: monetariamente e estruturalmente. Porque “família” não é formada apenas por aquelas que aparecem nas propagandas de Doriana. Nossas famílias, com os pés na terra, numerosas, sofrem com a explosão de desemprego entre adultos; sofrem com a profunda deterioração das relações laborais, com a falta de perspectiva, com as 12 ou 14 horas trabalhadas quando ainda se tem trabalho. Sobretudo, estas famílias não são apenas aquelas que têm seus filhos dentro escotismo, mas ainda aquelas que estão na base do movimento (os escotistas). Como pedimos para que, diante deste cenário, participem do escotismo? Como pedimos para que deem atenção ao desenvolvimento dos seus filhos? É sobre isso que devemos – juntos – discutir. E sabe qual vai ser a surpresa? Que invariavelmente teremos que assumir uma postura ideológica e política, muito longe da neutralidade e do afastamento das questões da sociedade pregados por estas páginas.

Sobre ativismo.

Em vários artigos da página “O Escotismo que queremos”, o autor afirma que o escotismo não é ativista e nem é lugar para ativismos. Não sei o que o autor entende pela palavra, mas historicamente, politicamente e ideologicamente, “ativismo” é tudo aquilo que, de forma organizativa ou não, tenta transformar sua realidade. Sabendo disso, desde quando “a construção de um mundo melhor” não é uma proposta ativa e internacionalista desta transformação? Desde quando organizar-se para fazer que este espaço que compartilhamos seja um pouco mais solidário não é ativismo e ideológico?

O que acontece (e que parece que sempre há que pisar em ovos para afirmar isso), é que “ativismo” é mais um bordão, assim como “politicamente correto” (que a página usa sem moderação), cunhado e apropriado pela atual ala minoritária governista de forma conspiratória e eleitoreira contra quem ousa questionar as políticas públicas federais. Se num primeiro momento o autor afirma em seu manifesto que é contra os “acréscimos para fins ideológicos, partidários e eleitorais”, é exatamente o que ele faz em seus últimos escritos.

É, também, de uma imensa falta de profundidade insinuar que “ideologia” (o conjunto de ideias) é algo que devemos evitar no seio de um movimento formado com base nela. É igualmente alarmante, em pleno 2020, crer que a juventude se deixa “doutrinar” por qualquer coisa que apareça.

Sobre o ECA e o P.O.R.

O autor da página levanta todas estas hipóteses de “ativismo”, “escotismo familiar”, “neutralidade”, segundo ele, baseado no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e em um dos documentos da associação nacional, o Princípios, Organização e Regras (POR).

Vamos ver o que dizem estes documentos?

Na live, foi afirmado que esta parceria entre a família e o escotismo está contemplada no artigo 79 do ECA. Este artigo diz o seguinte:

Art. 79. As revistas e publicações destinadas ao público infanto-juvenil não poderão conter ilustrações, fotografias, legendas, crônicas ou anúncios de bebidas alcoólicas, tabaco, armas e munições, e deverão respeitar os valores éticos e sociais da pessoa e da família.

O artigo se refere estritamente a publicações e fala tanto da pessoa como da família. E se levarmos em conta seu inteiro teor, principalmente no que se refere a armas e munições, teremos muitas e muitas coisas para conversar no escotismo.

O P.O.R. (citado na live em sua regra 142), de forma parcialmente acertada diz que o escotista deve manter os pais informados na seguinte ordem:

Relação com a família: o escotista deverá sempre manter contato com os pais do membro juvenil para que as orientações repassadas aos mesmos sejam de conhecimento de sua família;

Digo “parcialmente acertada” porque o escotista carrega, sozinho, a responsabilidade de avisar não somente as orientações passadas a membros juvenis como a ele próprio através das instâncias superiores. E podemos estar de acordo que aqui nos falta mais material informativo. Na medida em que assuntos como redução das desigualdades e igualdade de gênero podem ser explicados com as cartilhas fornecidas pelos ODS, não é fácil explicar, sem um material adequado, um posicionamento contrário à redução da maioridade penal (vigente no escotismo brasileiro); não é fácil explicar um posicionamento de respeito à diversidade (vigente no escotismo brasileiro); não é fácil explicar que permitimos que o Brasil participe em eventos em países em que agem contra os direitos das mulheres (infelizmente, também vigente no escotismo brasileiro e apoiado pelo “Escotismo que Queremos”).

Mas por que não temos todos os materiais referentes a estas políticas? Justamente porque a direção nacional comprou a absurda ideia de setores barulhentos e de páginas como estas de que não devemos abordar estes assuntos em nossa formação porque são “políticos” e “ideológicos”.

Uma outra questão do P.O.R., na qual se sustenta por vezes o autor e que foi mencionada na live, é essa:

REGRA 011 – POSIÇÃO DO ESCOTISMO. I – O Escotismo como força educativa, se propõe a complementar a formação que cada criança, adolescente ou jovem recebe de sua família, de sua escola e de sua orientação religiosa, e de nenhum modo substituirá essas instituições.

Aqui temos questões de consenso. O escotismo não deve substituir algumas instituições que têm papéis técnicos definidos. Neste blog mesmo há diversos casos onde se relatam que pioneiros foram mandados a pintar escolas públicas, quando é dever do Estado fazê-lo. Porém, existem questões que o POR deixa em aberto, que podem levar a algumas interpretações.

Na página “Escotismo que Queremos”, há afirmação de que devemos complementar e não contrariar o que diz a família. Percebam que esta forma como se complementa não é definida no P.O.R. Além disso, a proposta de que devemos consultar cada uma das famílias e perguntá-las sobre nossos próprios valores já assumidos é uma ideia inocente. Logo, a página vale-se de um exemplo torto sobre aborto, narrando que uma garota quer abortar e o chefe a apoia por suas convicções morais. Esta é uma das interpretações. Se for por exemplos, eu também tenho alguns.

Vamos imaginar que uma inteira família, o que não seria raro, é contra a vinda de imigrantes haitianos ao Brasil porque “não gostam de pretos” e “não coadunam com a miscigenação”. O escotismo não deve, repito, não deve se adaptar a este discurso para não “contrariar a família”. O papel do movimento escoteiro é justamente “complementar” esta formação de origem, oferecer uma outra visão, uma outra fonte, tal qual um texto jornalístico o faz.

A partir daqui, se a crença formada pela família insiste em anular a condição humana, negligencia ou marginaliza, o escotismo não é lugar para ela. E não cabem, neste momento, relativizações sobre o paradoxo da intolerância nem racismos reversos, sofismas que apenas distorcem conceitos para justificar agressões.

Sobre o caso levantado pelo “Escotismo que Queremos” sobre o aborto, ele é torto porque o escotismo não tem ainda uma posição técnica sobre o assunto (diferente de questões como homoafetividade, gênero e afins), mas pode-se presumir que o direito à vida e à dignidade nos possa guiar na resposta. Como o aborto é uma questão de saúde pública e o chefe acabou se vendo numa situação em que a moça coloca sua própria vida em risco, é dever dele primeiramente informar a família e, logo, advertir sobre as complicações que a clandestinidade desta prática podem trazer. Mas, primeiro, vamos ter que falar abertamente sobre o assunto dentro do movimento, sem prejuízos ou moralismos, para arrancar alguma posição clara quanto a isso.

Sexualidade

O ECA não determina claramente questões de gênero, homossexualidade, vida sexual e afins. Ele não pode ser usado como muleta para impedir que o assunto seja abordado no escotismo. Na verdade, em se tratando de sexualidade, ele concentra seu conteúdo na parte protetiva: prevenção de abusos, exploração sexual, entre outros. Já na educação formal, seja através dos PCNs, cartilhas governamentais ou outras orientações, que também tem no ECA sua fonte, este tema é tratado de forma mais abrangente – o que também nos levaria à interpretação de que o escotismo pode complementar esta formação. E, repito, a interpretação de que se precisa da autorização da família aqui é exótica e forçosa. É o que o jurista Miguel Nagib (propulsor do “Escola sem Partido”) defendia, e não só perdeu na maioria dos casos que defendeu como desistiu da empreitada. Como bem disse o próprio Fernando Borges na live, na medida em que se apresentar claramente o projeto, plano, PCN, PPP ou o que seja, há um ato ao menos tácito de aceitação. O ideal – e aqui poderíamos estar de acordo – é que a construção destes projetos fosse coletiva no escotismo.

– Abrindo um parênteses, com certa graça vi os argumentadores da live recorrerem a Freud para explicar as noções de psique e pertencimento numa live sobre família. Justo Freud, que dividia o desenvolvimento psicossocial infantil entre as fases fálica, oral e anal. Hoje, certamente, estaria preso, linchado ou acusado de “viés ideológico” por páginas na internet.

No mais, a sexualidade é parte fundamental da formação de uma criança, principalmente para que ela conheça os limites, inclusive dentro do núcleo familiar – que é onde mais de 70% dos crimes de abuso acontecem. Os escotistas não apenas devem abordar o tema com naturalidade, mas estarem atentos ao que os próprios jovens manifestam dentro do grupo.

Os Escoteiros do Brasil

Quando a Escoteiro do Brasil se pronunciou favorável às relações homoafetivas (leia aqui), também reforçou que medidas educativas (de informação) seriam aplicadas. E desde lá, não só não foram aplicadas como vemos casos de homofobia e preconceitos generalizados explodindo dentro do escotismo. Por exemplo, vocês saberiam me dizer quais medidas foram aplicadas e quantas destas páginas se pronunciaram contra este áudio abaixo, que circulou por toda a região escoteira de São Paulo? Nenhuma. E sabem quem estava comentando na live sobre “família”, insistindo em conspirações e, presumo eu, ainda ativo no escotismo? Pois é.

NOTA: O escotista Rafael Nunes não é o autor do áudio. Apenas o disponibilizou no SoundCloud.

E, por fim…

Todas as orientações acima são uma maneira segura de passar direcionamentos sem que ninguém ultrapasse sua linha de atuação. Ganhar curtidas à base de impulsionar publicações, onde se levantam teorias conspiratórias da URSS, confunde muito mais do que ajuda no desenvolvimento do escotismo e da juventude.

O meu alento em toda esta situação é que claramente a própria juventude e as famílias, em sua maior parte, já não compram este discurso retrógrado. Tenho residência em uma cidade extremamente conservadora, mas que rechaçou por completo o programa e ONG “Escola sem Partido”, que é o que estas páginas querem para o escotismo. É por isso que deposito minha fé na humanidade, na juventude e nestas famílias que lutam.

13 comentários em “Manifesto pelo Escotismo para todos.

  1. Por volta de 1999. A rede social estava ancorada no sistema Yahoo. Um determinado dia, apareceu um pps com o titulo PAMONHA!. Só os loucos não mudam de ideia, como ora se demonstra pela materia dada a publicação no “PATROCINADO” grupo de discussão “escotismo querido por alguem” , que não eu, e tanto menos pelo articulista ao qual “amarro” meu comentário. Qual a relação entre o PAMONHA de outrora e a causa deste artigo? Bah! Notar que não se está “batendo” quer no responsavel legal quer no articulista. Se esta DEBATENDO o tema. Bôa Leitura. Melhor análise.

    1. Em todos os lugares que participamos, temos que ter a disposição de convencer ou sermos convencidos. Dentro deste processo, é natural mudar de opinião. O problema é quando os condicionantes desta mudança são os cargos, a notoriedade, as medalhas, a promessa de alguma função.

  2. Comento com uma parábola… que me lembrou uma outra que li por aí…

    Diversidade: O sucesso de uma pequena associação escoteira

    A abertura de um novo grupo em uma comunidade foi bastante divulgada.
    Um senhor ouviu falar que o Escotismo seria uma ótima opção para os
    seus dois filhos, de 11 e 13 anos. Ele buscou na internet sobre a
    associação local, mas ficou incomodado quando encontrou postagens
    celebrando a “Semana do Orgulho LGBT”. Este tipo de postagem
    contrariava as suas convicções religiosas e não era o tipo de educação
    que ele almejava para seus filhos. Sua fé condena toda prática
    homoafetiva, especialmente e ele não conseguia enxergar com bons olhos
    aquele tipo de publicação. Ele então decidiu fazer contato com a
    Diretoria da instituição escoteira. Não abordou a questão religiosa,
    por não desejar ser vítima de preconceito, mas disse que por suas
    convicções pessoais, embora ele desejasse que seus filhos fossem
    escoteiros, não via com bons olhos aquele tipo de publicação e
    perguntou se não havia perspectiva de mudança neste tipo de posts em
    respeito a ele e “outros pais que ele tinha certeza que também não
    aprovariam estes posts”, pois não queria seus filhos em um “movimento
    que apóia os gays”.
    A diretoria da instituição informou delicada, mas firmemente que
    alguns princípios institucionais não poderiam ser mudados. Disse que a
    liberdade religiosa e de sexualidade, deveriam ser respeitadas, com
    acolhimento a todos, independentes de suas características. Disse
    ainda que a instituição não fazia apologia a questões de gênero,
    política, preferência sexual ou religiosa, mas procurava, através de
    seu método educacional, formar jovens prontos para o diálogo e capazes
    de conviver com as diferenças, reconhecendo o direito de escolha
    individual.
    A associação informou ainda que todos têm o direito – e obrigação – de
    educar seus filhos dentro de seus princípios morais e éticos
    familiares, mas que, de forma alguma os Escoteiros poderiam deixar de
    valorizar a todos, em seus objetivos de formar uma sociedade
    comprometida com a tolerância, a inclusão e a diversidade.

    O tempo passou.

    A comunidade onde os jovens quase-escoteiros moravam foi impactada
    pela presença da associação escoteira. O Grupo interagia
    constantemente com as escolas da comunidade e associações de
    moradores. Muitos jovens se beneficiaram do escotismo e puderam ajudar
    a construir uma comunidade mais igualitária, inclusiva e diversa.
    Infelizmente após alguns anos da história, alguns acontecimentos
    tristes envolveram os filhos daquele senhor. O filho mais novo foi expulso de casa após
    assumir sua homossexualidade e o mais velho foi preso por ter batido em sua namorada por ter tentado defender o jovem cunhado.

    Esta é uma parábola. E parábolas, todos sabem, não explicam nada, apenas nos contam o que se passa por aí…

    1. Lembrei do “Estudos de casos” enquanto escrevia o artigo. Pena que não tinha uma versão editável para citá-lo.
      Por onde você anda?

  3. Excelente artigo,embora possamos discursar numa ou outra questão de pormenor subscremos quase na íntegra. Um mundo sem ideias é um mundo acéfalo, não podemos ter medo das ideias e dos idealismos que impulsionam. Existe um constante confundir o ter ideias (ideologias ou ideias para um coletivo, sociologias) com um posicionamento político partidário.Lembramos um desenho de BP onde o escuteiro ou o escutismo passa por cima de origem de classe (social), raça, etc. BP forjou um movimento mundial de juventude para promoção da paz mundial. A nosso ver o escutismo é de caráter mundialista na sua essência. Pese haver que o queira nacionalista. Mas ainda assim o nacionalismo pode ser tolerado na ótica do agir localmente, pensar globalmente…A família e outros conceitos que tinhamos há muito definidos de uma determinada maneira são passíveis de evolução à luz dos novos dados da realidade social.O escutismo deve levar à realização da pessoa de forma a que esta possa servir o possível e prontamente o bem ou interesse comum.Ainda em relação à família deve prevalecer a ideia que o dever escuteiro começa em casa logo deverá ajudar a família de uma forma voluntariosa.A humanidade é apenas uma família mais alargada. Chegou até nós ao longo dos tempos queixas que o ”escotismo” seestá tornando elitista, autoritário, etc. Cremos que isso se deve aos valores que as chefias foram formadas e são fruto de conceitos e valores que ainda dominam a sociedade, alguns pouco propícios ao mundo que queremos ser possível. Mas no contacto com outras formas de ser e de estar que podem ser potenciadas pelos membros jovens do escutismo e não só cremos que com o passar do tempo e determinação essas questões podem ser sanadas. O Escutismo é uma forma ativa de estar no mundo e de moldar as pessoas  para serem seres melhores. ESCUTISMO ALTERNATIVO BRASIL  – Coordenadora Brasileira      

  4. A 111 anos atrás, Baden Powell deixou todas as orientações sobre todos esses assuntos explicados e orientados em toda a literatura produzida por ele. Tudo que se discute hoje, já estava lá, desde Escotismo para rapazes, e nas obras seguintes. Se fossemos mais fiéis a obra literária dele, não ficariamos dando tantas voltas em círculos não chegando a lugar nenhum e querendo reinventar a roda de tempos em tempos. Toda essa discussão está lá, apresentada de forma simples, singela, léve, engraçada e instigante, como deve ser qualquer ensinamento voltado a promover os valores e virtudes do ser humano numa criança e num adolescente. Poucas coisas precisam ser atualizadas no que está lá, mas mesmo estas “coisas” que devem ser situadas para o contesto social mundial atual, se comparado com o que se discute na internet nos últimos anos, é mais objetivo, seguro e palatável do que as infinitas teorizações intermináveis dentro do escotismo atual.

    1. Revisitar as literaturas de Baden-Powell é importante, na medida que ele não era todo este conservador como muito se quer pregar dentro do escotismo brasileiro (que historicamente tem sua própria visão de movimento). Baden-Powell é contraditório em alguns dos seus escritos, muitas vezes por conjunturas distintas (guerras, protagonismos, conflitos), mas muito mais porque foi – como qualquer escritor o faz – atualizando suas obras. Tenho registrado que a última foi em 1936, no mesmíssimo Escotismo para Rapazes, um pouco antes de sua morte.

  5. O Movimento Escoteiro no Brasil sempre seguiu na contramão do Escotismo no resto do mundo. Enquanto escoteiros alemães e italianos caiam na clandestinidade por se oporem a Hitler e Mussolini, espanhóis se opunham a Franco, a UEB homenageava Getúlio Vargas (declarado simpatizante do nazifascismo e ditador) com o Tapir de Prata.

    Não muito tempo depois, enquanto toda a América latina lutava contra as ditaduras militares no Brasil, Argentina, Paraguai, Chile e Uruguai, a UEB se alinhava aos militares golpistas, inclusive concedendo o Tapir de Prata a Alfredo Stroessener. e ao Xá Reza Pahlavi do Irã.

    Não é surpresa que o sujeito que – não faz muito tempo – publicou uma foto do seu uniforme escoteiro no lixo, que vem tentando conseguir seu lugar ao sol na estrutura da instituição, mude a linha editorial de sua página para agradar ora gregos, ora troianos, para manter visibilidade e boa relação com quem detém o poder.

    O que é apregoado hoje na página OEQQ é uma versão do famigerado projeto “Escola Sem Partido”, com muita fala contra “ideologia” (como se seus posicionamentos não fossem ideológicos), com uma propaganda velada contra a presença do publico LGBTQIA+ nos grupos escoteiros, alinhamento com as ideias bolsonaristas de “ninguém que jovem com pensamento crítico” e, principalmente, contra manifestações de jovens e adultos favoráveis ao antifascismo.

    A UEB sempre foi uma instituição avessa aos Princípios Democráticos, impondo aos seus associados uma submissão total à vontade daqueles que se julgam “Todo-Poderosos” na estrutura, não se fazendo de rogados ao usar de expedientes espúrios como processos fajutos em comissão de ética, perseguição ideológica e politica, expulsões brancas, assassinatos de reputações, dentre tantas outras práticas pouco escoteiras. No atual momento politico brasileiro, nada mais oportunista do que a página OEQQ se alinhar com este discurso hipócrita e reacionários do bolsonarismo, arrebanhando simpatias deste gado que ainda se conta aos milhares dentro da instituição.

    Pior fica quando profissionais do Direito usam de falácias para forçar entendimento de legislação especifica de modo a favorecer estes argumentos.

    Não é à toa que os ramos com números mais expressivos de jovens é o Lobinho e Escoteiro, já que Sêniores/Guias, assim como Pioneiros(as) passam a pensar por si próprios e deixam de ver o mundo sob a lente dos seus “chefes”, largando logo o Movimento quando percebem o quanto reacionários são a maioria dos adultos.

    Aliás, seria bom que houvesse uma artigo falando sobre o tal “Jamboree online” para o qual será cobrada taxa de participação de R$ 25,00, sem que a direção nacional venha a público explicar quanto aos custos envolvendo o projeto (o JOTI sempre foi gratuito), a planilha de gastos e tudo mais que INFORME o associado. Mas, como sempre, preferiram mandar um membro de equipe dar chiliques na página “O Escotismo que não queremos”, mandando o associado que critica ou levanta duvidas “dormir” e “caçar o que fazer”.

  6. Assunto atrás de outro assunto. Uma coisa que parece cristalizar-se é o fato de como um Adulto muda de posição, fazendo-me lembrar um post pensado para os Escoteiros do Ar: – biruta! (Muda conforme o vento, e sem o mesmo.. é um “pau murcho!”). O “assunto” novo seria cobrar taxa, amealhar dindim, monetizar “atividade virtual”. Em tempo, o JOTI não é subordinado á vontade da UEB, atividade internacional de cofraternização á qual a UEB parece não ter vontade alguma.

  7. Nos preparemos, agora está acontecendo no Escotismo. As sombras da intolerância avançam sobre todos os setores da sociedade, não ficaríamos de fora.

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