AEBP rompe com a WFIS.

Em um comunicado publicado em seu site, a AEBP – “Scouts Brasil” anunciou o rompimento com a central mundial, a WFIS – World Federation of Independent Scouts.

Entre os motivos divulgados, a AEBP alega que a WFIS se tornou um “tribunal”, que já não reconhece os certificados de formação emitidos pelo Brasil e que causou “vultuosos” prejuízos econômicos à filiada brasileira.

Além disso, em sua página no Facebook, o diretor-presidente da AEBP – que ocupa este cargo há 10 anos – afirma que já não vê necessidade de uma filiação internacional.

A AEBP foi fundada em 2007, em São Paulo, resultado de embates internos nesta região. Apenas em 2009 foi reconhecida pela WFIS, depois de ter causado a destituição do então secretário-geral da WFIS-SOUTH AMERICA (hoje WFIS-Americas), Claudio Cea, que se negava a reconhecê-la por falta de prestação de contas e comprovação de efetivo. Foi também nesta cisão que surgiu a WOIS – World Organization of Independent Scout, que hoje conta com 24 associações nacionais em quatro continentes.

O comunicado pode ser lido abaixo.


Declaração sobre a WFIS 2018

Senhores membros dos Scouts Brasil (AEBP Brasil)

A Assembleia Geral Ordinária deste ano, realizada em 9 de março de 2018 na cidade de Sta. Tereza, PR, discutiu, deliberou e determinou o rompimento de nossa filiação junto a WFIS (World Federation of Independent Scouts).

Esta declaração é necessária para documentar fatos ocorridos e também para calar membros da WFIS (principalmente ex-membros dos Scouts Brasil) e cessar os ataques morais contra nós.

Assim demonstramos aos nossos associados:

  1. Mediante acontecimentos ocorridos a WFIS deixou de ser um fórum de debates escoteiros para tornar-se um órgão regulador do escotismo praticado pelos seus membros. Ora. Isso é inadmissível pois atinge diretamente nossa independência;
  2. Passou a WFIS a interferir nas associações vetando a nomeação de membros para Escoteiro Chefe, Diretores de Curso etc;
  3. Tentou a WFIS Américas instalar um Tribunal Escoteiro Internacional para “julgar” seus membros;
  4. WFIS não mais revalidou os diplomas recebidos pela WOSM encaminhados por nós.
  5. WFIS passou a divulgar a terceiros questões internas sobre o relacionamento institucional com os Scouts Brasil.
  6. WFIS não se pronuncia sobre o reconhecimento dos cursos feitos por nossos membros na ANBSCH.
  7. Prejuízos financeiros vultuosos causados a nós.
  8. Quebra de termos.

Quando nos tornamos membros a WFIS reconhecia e registrava todos os certificados emitidos por nós. Era bastante simples: Uma correspondência oficial e em seguida eram emitidos os certificados WFIS com número de registro. A partir de 2011 a WFIS não respondeu mais a nossas solicitações.

  1. WFIS foi notificada em 07 de outubro de 2017 sobre essas e outras questões. Não houve nenhuma resposta.
  2. Declaração da WFIS de 07 fev 2018 é confusa e inconclusiva, uma vez que reafirma que apenas a equipe de treinamento da WFIS será reconhecida pela WFIS.

Assim, caros amigos, entendeu a Assembleia Geral Ordinária que houve um rompimento unilateral no modus operandi por parte da WFIS. Isso causou quebra de confiança.

Os Scouts Brasil continuarão a praticar o escotismo tradicional juntamente com todos aqueles que assim o desejarem. Todos os de boa-vontade serão sempre benvindos.

Recebam nosso fraternal canhotaço
São Paulo, 20 de março de 2018
Mario Greggio
Presidente

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6 pensamentos sobre “AEBP rompe com a WFIS.

  1. Pelo que pude depreender do texto, a WFIS transformou-se em uma WOSM então?
    Finalmente ficou claro que para haver independência deve haver obrigatoriamente um regramento?
    Estou começando a acreditar na WFIS então…

  2. Como em qualquer relação que não seja de mútua construção, isso é, de duas vias, tudo se deteriora quando uma das partes quer se impor à outra ou restringi-la em liberdade de pensamento e ação. A AEBP pode ter sido “oficialmente” fundada em 2007, mas em bastidores, nasceu realmente em 2005 devido a uma contenda pela posse de local entre uma ONG e o então EB GE Tacaúnas, mas a ideia dessa associação vem muito antes disso, de cidade do interior Paulista. Com relação a uma filiação internacional, de muito me pergunto para que? já que temos um método e sistema consolidado ao longo de século e uma singularidade que, como pais continental, tem suas características em diversidade psico-sócio-econômica-cultural próprias e que em extremos se assemelham e se diferenciam dos modos pensantes dessas instituições internacionais, o que não resulta em mútua construção e sim conflitos basais em alavancamento impositivo e determinação de metas à margem de evolução natural das relações entrepares e sociais. Por último, nada vejo em contrário na permanência de um Diretor Presidente em um determinado embrião de ideias e propostas, que por suas necessidades de consolidação, tenha mão firme e liderança visionária nessa manutenção de coesão e gradiende de crescimento, que embora lento, vai se firmando ao longo do tempo, inclusive por incrementos aleatórios de fragmentação da concorrência em ideias e propostas, visto que nessa fase de concretização organizacional inicial está sujeita a uma nuvem de conceitos e contribuições nem sempre centradas em plenas definições, mormente a política, já que repleta de lideranças circunstanciais e situacionais. Nesse cenário o único erro estratégico como fator crítico de falência, estará em não preparar uma sucessão concisa e aderente aos princípios e motivos iniciais do embrião, quando sua liderança visionária deixar a lide. Entretanto e infelizmente é o que temos podido aferir com relação aos Chefes Mário Greggio, Chefe Fidelis, Chefe Allan Campos e muitas outras novas associações Escoteiras. Nisso o EB (ex-UEB) leva vantagem até o momento na disposição temporal de pseudo-democracia, pois todos sabem a chapa que vai ganhar, justamente a que foi preparada no canto da sereia e não no da razão, no do ideal e nem no das propostas de Fraternidade.

    • Quando começamos a justificar a formação de um verdadeiro sultanato em associações alheias àquelas que comumente criticamos pelos mesmos motivos, já passamos da crítica desqualificada a um monumento à hipocrisia.
      Mas o direito à livre associação também serve para isso: para escolher o czar que mais nos dê atenção.

  3. A separação da WFIS era questão de tempo, já era previsto isso. Assim como muitos dos que aqui comentam, acompanhei e, por sempre participar dos debates que haviam no início através do sistema de grupos do Youtube, sofri as consequências de acreditar em um ideal de escotismo diferente do que se vinha praticando. Mas a AEBP se tornou uma nova UEB(me nego a chamar de EB, esta para mim é a sigla do Exército Brasileiro), ainda mais despódica, visto o tempo que existe e o tempo que o presidente é o mesmo! No calor do início, com os discursos inflamados, pareceu uma boa ideia, mas o tempo acabou por dar razão a quem não tinha razão e mostrar que o grande câncer do escotismo são os dirigentes! Citado pelo Ch Rinaldi, se eu estivesse a frente de uma instituição regulamentadora, jamais deixaria que o Alan Campos abrisse um GE, basta ver seus vídeos no Youtube ou suas postagens! Mas vamos ao bordão do Greggio, Quem não haje como escoteiro, escoteiro não é!

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