“Escola progressista” e escotismo.

John Dewey x Baden-Powell

A UEB – “Escoteiros do Brasil” tem uma parceria com o Café Mateiro. Vamos trocando pautas entre nós.
Anísio Teixeira estava na lista para o próximo artigo do blog, mas a UEB se adiantou e não só publicou uma notícia como prestou uma homenagem ao educador no último Congresso Nacional.

Anísio Teixeira foi uma figura importante para a educação brasileira. Principal signatário do Manifesto dos Pioneiros e promotor do movimento Escola Nova, pensava em uma escola democrática, inserida na sociedade, com uma metodologia crítica e dialógica.

Acreditava em uma educação ativa ao mesmo tempo em que combatia o modelo tradicional e tecnicista, responsável pela manutenção do sistema econômico e político vigente, ou seja, pela manutenção da ordem. Este último modelo, o tradicional, ainda vigora na educação formal e foi fortalecido através da recém-aprovada Reforma do Ensino Médio. Aliás, seria interessante ler o que uma instituição como a dos escoteiros pensa sobre isso.

Anísio Teixeira foi aluno de John Dewey, filósofo e pedagogo norte-americano que valorizava a capacidade de pensar do aluno e, principalmente, a união entre a teoria e a prática no que ele resumiu como “aprender fazendo”. Ele também afirmava que a escola não deveria ser apenas um local onde se deposita conhecimento, mas uma pequena comunidade. Ou seja, a escola “deve proporcionar práticas conjuntas e promover situações de cooperação”.

Todos estes pensamentos estão ligados ao método escoteiro, ainda que não existam vestígios de que Baden-Powell conhecesse a obra do americano.

O movimento Escola Nova recebeu muitas críticas, principalmente dos setores que representavam o ensino religioso e privado. Foi acusado de não exigir nada, de abrir mão dos conteúdos tradicionais e de acreditar ingenuamente na espontaneidade dos alunos. O interessante é que Baden-Powell, ao tirar o garoto da bolha da escola inglesa, da situação passiva do aluno em sala de aula  – transformando-o em protagonista da sua própria educação – também recebeu algumas críticas neste sentido.

O movimento Escola Nova acabou não vingando por completo, até porque suas propostas chocaram-se com interesses econômicos e políticos daquela época, e o próprio movimento acabou se conciliando à essência do sistema vigente.

Ainda assim, o escolanovismo contribuiu muito para a educação brasileira, europeia e norte-americana, abrindo a possibilidade de pensar a educação de uma outra forma, mais crítica, laica, universal e voltada aos problemas da sociedade.

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