Escotistas de SC e o “verdadeiro escoteiro”.

Promessa EscoteiraEsta história chegou por e-mail.

Um escoteiro e sua mãe foram comprar um meião preto num centro comercial de Santa Catarina. O meião era para compor o uniforme de um grupo escoteiro não filiado às associações nacionais, seja UEB, AEBP ou qualquer sopa de letrinhas.

O garoto, ao avistar dois adultos com uniforme escoteiro na loja, entusiasmou-se e foi cumprimentá-los. Os escotistas, ao pegarem o lenço do garoto (que também andava com seu uniforme) perceberam que ele não era filiado à associação majoritária, a UEB – “Escoteiros do Brasil”. Não tendo nada melhor que falar, os dois adultos disseram que ele não deveria se chamar “escoteiro”, mas “amigo de B.-P.”, e completaram, para a perplexidade da mãe que o acompanhava: “se você fosse escoteiro, você estaria no congresso regional escoteiro agora”.

Segundo a mãe do garoto, os dois escotistas se identificaram como membros do SC/59 Grupo Escoteiro Manchester, filiado à UEB.

Os “5% de bom”, segundo Baden-Powell

Mas também há lados bons nessa história. Escotistas do SC/20 Grupo Escoteiro Timbó, também filiado à UEB, ao saberem do relato solidarizaram-se com o garoto. Nas próximas semanas, se encontrarão pessoalmente com o jovem para pedir desculpas em nome dos dois educadores do relato.

Xerocagem

Nós podemos não gostar de outras associações no país, podemos ser contras, podemos criticar. Mas nunca devemos pretender a união em uma só associação pregando discursos como destes dois escotistas, ainda mais quando acabamos de sair de uma tema anual, o “diversidades que nos unem”.

Sobre a palavra “escoteiro” e os critérios para que alguém seja considerado como tal, este blog já dedicou diversos artigos sobre o assunto, atentando sobre a impossibilidade de que esta ou aquela organização tenham domínio sobre métodos ou palavras de uso comum, senão por propriedade comercial sob determinadas classes de produtos apenas. Este blog sempre alertou para que houvesse, também, uma posição conciliatória neste sentido, em que o convencimento desta união fosse por camaradagem e não por temor, represálias e mentiras.

Os escotistas que xerocaram estas inverdades e, pior, projetando-se na parte mais vulnerável da história, infelizmente são produtos do meio e nem sequer representam a política adotada pelos associados da “Escoteiros do Brasil”. Provavelmente, esta versão de “escoteiro verdadeiro” que eles têm vem de algum curso de formação, de algum formador ou dirigente, de alguma posição institucional em determinado momento da história, e o que eles fazem é simplesmente repeti-la.

Em todo caso, se a direção regional de Santa Catarina quiser dar publicidade às ações que pretende promover sobre o assunto ou se os próprios escotistas quiserem contar sua versão do ocorrido, este espaço fica à disposição.

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10 pensamentos sobre “Escotistas de SC e o “verdadeiro escoteiro”.

  1. Mais e mais me convenço que escotismo no Brasil não é um caminho bem vindo! Já se foi o tempo do respeito e do conhecimento do que é ser escoteiro, tanto do público leigo, quanto dos próprios escoteiros!

  2. Convenhamos que muitos dizem ser chefes ou escoteiros, mas a mentalidade e formação não é própria de tais “sabujos” que se intitulam chefes. Escrever sobre tais tipos é condecorar a UEB pela sua estupidez em condenar outras associações.

  3. Boa noite a todos os irmãos escoteiros sou membro e ex-presidente do Grupo Escoteiro Manchester 59SC o qual foi mensionado em tal fato, tenho confiança em meu grupo que tem a sua história ilibada de 36 anos, acredito que os fatos expostos aqui seja averiguado xom mais atenção pelo blog Cafe Mateiro.

    • Também tenho confiança no relato da mãe que levava seu filho ao centro comercial. Mãe esta que não tem ciência do embate fratricida que muito se vê, inclusive, em Santa Catarina desde 2007.
      Ainda assim, como mencionado no rodapé do artigo, os escotistas envolvidos – se assim quiserem – estão livres para apresentar suas versões. Abraço.

  4. Infelizmente há pessoas que não fazem parte da verdadeira franernidade mundial!! Sabemos que não é o que você veste que o torna escoteiro, um escoteiro melhor ou pior, e sim, quem você é! Não podemos tolher um sonho, o mundo encantado de uma criança em detrimento a formalidades que venham a existir!
    Todos nós seguimos os ensinamentos de BP, e por isso todos somos irmãos, escoteiros, amigos de BP…..
    Sempre Alerta!!!

  5. Acho triste e lamentável tal episódio que vai contra o princípio de Fraternidade declarado no Artigo 4º da Lei (O Escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais Escoteiros). Pessoalmente já presenciei vários episódios de discriminação, em seus vários níveis, contra os Desbravadores, contra os Exploradores (ligados à Igreja Católica), contra os Patrulheiros e por demais associações de âmbito juvenil, no que a instituição Escoteiros do Brasil se arroga em direitos exclusivos, pois há mercado e oportunidades para todos, sem nos considerarmos entre nós como inimigos ou adversários, mas certamente concorrentes na Lei de oferta e procura, pois isso foi o que de melhor aconteceu no Movimento Escoteiro nacional, (desde a extinção imposta da FBEAr em 1961 como última relutante na imposição de monopólio Escoteiro), visto que acordou o que estava deitado (e acomodado) em berço esplêndido. Naturalmente, como pessoa, como Escoteiro e como Chefe Escoteiro, sempre mantive boas relações com todos eles em adverso da orientação institucional que se acha detentora e exclusiva da educação não formal nesse Brasil, que tem um dos menores índices e taxa de adesão populacional proporcional ao Movimento Escoteiro do mundo.

    Dentre vários, cito um caso, de uma atividade Escoteira em 2010, denominada “Noitada Sênior”, em que o Chefe Coordenador de Ramo Distrital, em roda de discussão de dezenas de Elementos, mediante pergunta de um sobre a AEBP, respondeu que eram piratas do Escotismo, hackers da metodologia Escoteira e não poderiam nunca ser considerados Escoteiros e que imediatamente se retirou para seus outros afazeres da atividade, passando o comando para seu segundo, nesse momento, pedi a palavra e esclareci o que era e ao que se propunha a AEBP e que eram irmãos Escoteiros com outro entendimento do que seja a operação Escoteira em sua filosofia (para horror e desespero do segundo em comando).

    Lembro também em Domingo Aéreo de 2007, encarregado de recepcionar os Escoteiros no Campo de Marte, me dirigindo, mesmo em protocolo, ao contingente de Patrulheiros e de Desbravadores, ambos (em síntese de palavras) disseram: “… é a primeira vez que somos recebidos pelos Escoteiros com respeito e consideração, pois via de regra somos ignorados e desprezados …” Fiz entre eles grandes amigos por simples gesto de cordialidade que permanece até hoje.

    Isso é algo que precisa mudar em todos os vetores, pois podemos ser concorrentes em um vasto mercado de demanda, mas não somos inimigos e nem somos adversários, todos pretendemos a missão de construir pessoas em valores permanentes para um Brasil grande como nação.

    Francisco Kainer Rinaldi
    GEAr Jabaquara

  6. Muito triste, pois se vê, a deterioração lentamente de todo objetivo primeiro, vindo de BP, e todos assistindo se muito o que poder fazer, para voltar o verdadeiro escotismo sem esses Vícios e Vírus.
    SAPS.

  7. Infelizmente chegamos a tal ponto. Nascemos como um Movimento e ao longo dos anos nos tornamos uma Organização. Os princípios e valores pautados na Lei e na Promessa Escoteira, já não são mais cultuados e o que antes era uma grande fraternidade, apolítica, voluntária e sem fins lucrativos, hoje nada mais é que uma “Organização com fins financeiros”.
    Normalmente, quando uma sociedade inverte valores onde o TER, prevalesse sobre o SER, aos poucos ela se deteriora, fazendo com que comportamentos e virtudes os quais norteavam a personalidade e o caráter das pessoas, não sejam mais valorados, favorecendo assim o que chamamos de BANALIZAÇÃO, onde tudo é permitido sem nenhum escrúpulo ou peso na consciência.
    A exemplo da política brasileira, o Escotismo não poderia ser diferente, não vou aqui arrolar um rol de fatores ou motivos, os quais refletem o descontentamento e o consequente afastamento de valorosos dirigentes que num passado bastante próximo, prestaram relevantes serviços ao Escotismo Brasileiro, mas hoje, muitos estão sendo triturados, perseguidos e obrigados a se afastarem do que outrora fora para eles uma filosofia e um modo de vida.
    Tenho a convicção que o Escotismo é um Método Educativo, o qual Baden Powell lançou como alternativa educacional para uma juventude com poucas alternativas.
    Antes da consolidação plena da UEB, que só ocorreu depois dos anos 50, no Brasil nos tivemos várias Associações de Escoteiros, Federações e até Confederações, existiram até outras que não chegaram a se associar a uma maior e funcionaram de forma independente.
    Resumindo, Escotismo não é uma “Patente” e também não é Propriedade intelectual de ninguém.
    Deveria ser uma irmandade segundo BP, mas como toda instituição, politicagem, má administração, improbidade….,etc, etc. Sempre haverá grande lacunas e segregações.

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