Designer aponta falhas em logotipo da “Escoteiros do Brasil”.

Nova marca UEB.Formação em Design; especialização em criação multimídia; mestre em educação, arte e história da cultura; docente universitário e escoteiro. Esse é o perfil do autor da carta a seguir.

O texto nos traz uma análise sobre a concepção da “nova marca” da UEB – “Escoteiros do Brasil”, idealizada em 2010. Para melhor compreensão, as opiniões do missivista estão em negrito.

 

CONSIDERAÇÕES SOBRE A NOVA MARCA DA UEB

Começo minhas considerações com a transcrição de um texto interessante sobre as 4 razões para redesenhar um logotipo.

Qual a necessidade de um redesenho de um logotipo? Não é fácil mudar um logotipo que já estava consolidado na mente e nos corações dos consumidores (no caso do imenso público escoteiro) o que muitas vezes chamamos de consciência da marca. Sabemos que com o redesenho de um logotipo, uma readaptação será lenta e com certeza isso gera custos.

A tomada de decisões são demais de importantes sobre a substituição de um logotipo corporativo que normalmente é caracterizado por algumas mudanças internas para o desejo de uma empresa.

Quando o logotipo é usado por vários anos, a consciência do consumidor de uma marca que é mensurável, pode ser um meio valioso no “arsenal” do marketing corporativo. Com isto em mente, um logotipo redesenhado costuma implementar mudanças sutis para atualizar o visual ao mesmo tempo levar em consideração o reconhecimento do cliente. Eu tenho fé de que isso tenha sido feito…

Um logotipo às vezes tem eficiência limitada, por isso não existe uma data certa para atualizar um projeto do logotipo para atender às exigências dos tempos. De fato, as mudanças para um novo logotipo com o seu antecessor podem ter mudanças insignificantes ou mesmo nenhuma mudança. Com pequenas alterações, uma mudança na consciência pública pode ser dirigida sem muito esforço. Agora poderá haver confusão sobre a marca quando se trata de uma mudança completa. A opinião da autora é que a empresa mantenha a sua imagem nestas condições. Eu quero acreditar que essas reflexões tenham sido feitas…

Muitas informações decisórias de redesign são colhidas a partir de pesquisa de fatos sobre a entidade, incluindo concorrentes. Eu pergunto: será que temos no Brasil alguma concorrência forte para a UEB? Não acho que a FBB e AEBP, ou alguma associação Desbravadora etc não representem uma concorrência. Mas enfim…

Então quais as razões para o redesign de um logotipo?

Outro texto que tenho mostra alguns itens que justificam tal decisão.

1. Mudanças na visão da empresa e missão. Aqui talvez tenha sentido, afinal com o advento da cibertecnologia, temos que pensar muito no apelo tecnológico frente às atividades ao ar livre.

2. O logotipo é semelhante a outros logos – As empresas não querem sacrificar uma marca pela dúvida da ambiguidade ou confusão com outra marca. Eu pergunto: existe algum problema de ambiguidade ou semelhança exacerbada com outra entidade? Lembrem-se: Falta de comunicação da identidade pode ter um impacto muito fatal. Pensem nisso.

3. Há problemas técnicos ao usar o logotipo – Concordo que o logotipo antigo possuía alguns problemas mas não creio que fossem tão exagerados assim a ponto da mudança. Mesmo porque acho que o novo logotipo possui sérios problemas, entre eles muita cor. Sempre devemos levar em consideração aos problemas relacionados a impressão em diversos suportes. Se uma empresa considera que muita cor é que está causando um grande impacto no custo, um redesenho do logotipo vai reduzir a carga considerável do custo de reprodução, uma atitude muito coerente, mas não vejo acontecer neste caso, vejo justamente o inverso.

4. O logotipo não se encaixa no tempo – Em sua jornada, a marca da empresa será mais forte. Eu pergunto: Será que este logo da UEB não se encaixa no tempo? Está tão defasado assim? Essa mudança completa deixou ou deixará a marca UEB mais forte?

Elucido abaixo dois exemplos do redesign que não mexeram completamente em suas estruturas. A da empresa Shell e o redesign da Boy Scouts of America.

O símbolo da marca da SHELL já passou por diversas transformações. Mas desde seu último trabalho de aperfeiçoamento em 1971, atingiu um patamar de qualidade onde não mais há a necessidade de ser modificada, e não ficou datada, como nas versões anteriores. Isso não significa que a identidade não tenha se modernizado. A tipografia do lettering foi trocada, assim como o visual de seus uniformes, pontos de venda, material promocional. Mas o SÍMBOLO permaneceu intacto.

shell

O logotipo da Boy Scouts of America sofreu apenas a estilização de seu logo original, mas o conceito da águia, escudo, estrelas e estrutura da flor de lis PERMANECERAM INTACTOS.

logoBSA

Posso colocar aqui (como mais estes três exemplos) tantos e tantos outros redesigns que evitaram alterar por completo sua estrutura, mas creio que esses dois exemplos já podem elucidar o que quero dizer. Eu pergunto: será que isto foi levado em consideração?

marcas

Quero agora, analisar o manual de identidade visual elaborado pela UEB.

Página 13 e 14 do manual de identidade. A questão da palavra LOGOMARCA

Parece-me que há uma confusão no manual quanto a própria etimologia da palavra “logomarca” e outros termos usados no manual. Muito debatida e muito estudada nos cursos de design ela ainda causa controvérsia, principalmente por também ser estudada nos cursos de Publicidade. Mas como disse antes, não posso ficar em argumentações vazias, então além de garimpar em meus livros, achei mais didático trascrever o que um site interessantíssimo resume em todo esse debate e desmistifica de uma vez por todas essa mania brasileira de inventar palavras. Segue abaixo trechos que julgo serem os mais elucidativos.

Qual seria o sentido dessa genuína invenção brasileira? LOGOMARCA QUER DIZER ABSOLUTAMENTE NADA. “No Brasil, de uns anos para cá, o termo logomarca passou a galvanizar o universo da identidade visual e muitos dos envolvidos em sua dinâmica. Nesses meios, logomarca passou a ser sinônimo de símbolo e de logotipo, designações que as primeiras gerações de designers aprenderam a usar e que ainda vale para qualquer país em que a atividade tenha atuação significativa.

Na verdade, logomarca é uma dessas criações tipicamente brasileiras que, assim como a compulsão para inventar nomes próprios, por exemplo, definiriam o brasileiro como um indivíduo imaginoso, pouco afeito à convenções. No entanto, convertamos, a capacidade de inventar, por si só, não encerra mérito nenhum. Não se vai para o paraíso só porque se é inventivo. Mesmo porque, ao que tudo indica, o diabo sempre se mostrou extremamente engenhoso.

Mas, voltando à mania nacional de inventar nomes próprios, há quem veja nela inquestionável tendência poética ou mesmo propensão á rebeldia. Provavelmente não se trata nem de uma coisa nem de outra. Não somos um povo de índole guerreira. À parte algumas exceções sangrentas, impostas pela classe dominante Àqueles em que se habituou mandar, a nossa tem sido uma história de contemporizações.

Significado real:

Colocada a questão nesse plano, examinemos o sentido dos termos símbolo, logotipo, logomarca e marca, para tentar definir seu verdadeiro significado com mais precisão.

Símbolo Gráfico é o sinal a cujos conceitos se chega através de associações sucessivas. Símbolos gráficos são diferentes de signos gráficos.

Signo Gráfico é um sinal que possui apenas um conceito ou significado. Uma seta indicativa de direção não traduz senão a direção para a qual aponta. Já simbolos gráficos, como a cruz, a suástica, o símbolo da Volkswagen ou da IBM remetem a uma série de significados que se superpõem, num longo encadeamento. A cruz remete à Jesus, à cristianismo, perseguição, martírio, cruzadas, poder religioso, estado do Vaticano, etc. A suástica remete a nazismo, anti-semitismo, Hitler, campo de concentração, participação da Alemanha na Segunda Guerra, massacre, potência bélica etc. O símbolo da Volkswagen remete à indústria alemã, qualidade, resistência, e, no caso do Brasil, à assistência técnica garantida em praticamente qualquer ponto do país. O símbolo da IBM remete á tecnologia de ponta, à indústria da informática, a computador pessoal, a Paul Rand etc. Esse caráter polisêmico e aberto está na base da definição de qualquer símbolo, seja qual for sua natureza.

Logotipo é um símbolo constituído por uma palavra graficamente particularizada que, portanto, também gera associações sucessivas.

Em Design Gráfico, símbolo e logotipo pertencem à mesma categoria e cumprem a mesma função através de possibilidades formais diferentes. O primeiro através de estruturas abstratas, pictogramas, ideogramas ou fonogramas. O segundo através de uma palavra à qual se confere tratamento gráfico especial, de maneira a tomá-la única entre tantas. E, um e outro, despertam associações sucessivas dado à natureza de sua estrutura.

Marca é o nome da empresa ou do produto, a designação que define uma personalidade, um conjunto de ações de comunicação junto a públicos internos e externos. O símbolo e o logotipo são formas de grafar a marca, de torná-la visualmente tangível. É comum as pessoas se referirem ao símbolo como marca. Diz-se freqüentemente: a marca da Coca-Cola ou da Fiat,quando na verdade,a intenção é a referência ao logotipo da Coca-Cola ou da Fiat. Da mesma maneira, símbolos também são chamados de marcas e também é comum se ouvir referência á marca da Volkswagen ou da Mercedes-Benz, quando a designação correta seria símbolo, já que o primeiro é um fonograma e o segundo um símbolo abstrato.

É possível que o genial inventor da palavra Logomarca estivesse, ao criá-la, querendo dar conta daquelas situações em que o núcleo da identidade visual da empresa repousa num sinal misto, no qual um símbolo e um Iogotipo se combinam na veiculação de uma dada imagem, O fato é que se por acaso foi essa a origem do termo, atualmente, no Brasil, todo sinal gráfico que pretenda identificar uma empresa ou um produto é chamado de logomarca, independente de ser símbolo, logotipo ou sinaI misto.

Logos em grego quer dizer conhecimento, e também palavra.

Typos quer dizer padrão e também grafia.

Portanto, grafia-da-palavra ou palavra-padrão. Agora palavra-marca ou conhecimento-marca quer dizer o quê? Coisa nenhuma. E é espantosa a desenvoltura com que cerca de dois terços da população ligada à comunicação gráfica no Brasil usa e veicula essa coisa nenhuma, com a segurança de estar brandindo um termo de alto teor técnico e expressivo.

Curioso que áreas tão afeitas à moda e á terminologia usada internacionalmente para tudo o que diz respeito aos assuntos do setor, como a publicidade, o marketing e mesmo o desiqn gráfico, desprezem as designações corretas, presentes nos artigos publicados pelas revistas especializadas do primeiro mundo. Nelas as palavras logotype, logo ou symbol pontuam cada página, para lembrar apenas os países de língua inglesa. “Logomark” ou sucedâneos, jamais. (vide abaixo uma página do livro Logo design workbook de Sean Adams onde não há um termo do tipo “Logomark” ).

Clique na imagem para ampliar
Clique na imagem para ampliar

Resumo da ópera:

logomarca logotipo

O que recomendo aos meus alunos, em caso de ainda (o que acho um absurdo) terem dúvidas quanto o uso da palavra LOGOMARCA é usarem as Terminologias de marcas do INPI.

Do ponto de vista Jurídico de Registro de Marca, existe apenas uma única terminologia oficial: a utilizada pelo INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) no registro de marcas. Segundo o INPI:

O que é marca?

Marca, segundo a lei brasileira, é todo sinal distintivo, visualmente perceptível, que identifica e distingue produtos e serviços de outros análogos, de procedência diversa, bem como certifica a conformidade dos mesmos com determinadas normas ou especificações técnicas.”

Condições de Validade:

A marca deve constituir em sinal visualmente perceptível. Os sinais visualmente perceptíveis devem revestir-se de distintividade, para se prestarem a assinalar e distinguir produtos ou serviços dos demais, de procedência diversa;

A marca pretendida não pode incidir em quaisquer proibições legais, seja em função da sua própria constituição, do seu caráter de liceidade ou da sua condição de disponibilidade”

Tipos de Marca:

Nominativa:

É constituída por uma ou mais palavras no sentido amplo do alfabeto romano, compreendendo, também, os neologismos e as combinações de letras e/ou algarismos romanos e/ou arábicos.”

Figurativa:

É constituída por desenho, imagem, figura ou qualquer forma estilizada de letra e número, isoladamente, bem como dos ideogramas de línguas tais como o japonês, chinês, hebraico, etc. Nesta última hipótese, a proteção legal recai sobre o ideograma em si, e não sobre a palavra ou termo que ele representa, ressalvada a hipótese de o requerente indicar no requerimento a palavra ou o termo que o ideograma representa, desde que compreensível por uma parcela significativa do público consumidor, caso em que se interpretará como marca mista”

Mista:

É constituída pela combinação de elementos nominativos e elementos figurativos ou de elementos nominativos, cuja grafia se apresente de forma estilizada.”

Tridimensional:

É constituída pela forma plástica (estende-se por forma plástica, a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem, cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de qualquer efeito técnico.”

Recomendo pensarem sobre o uso desta palavra “Logomarca”no manual da UEB .

EXPLICAÇÕES SOBRE O EMBLEMA – pg. 14 – definições

O Perfil da juventude Brasileira

Precisamos representar de forma direta o que somos e o que fazemos como escoteiros. Para tanto, foi criado um símbolo humanizado, espontâneo e com cores alegres em uma sobreposição de perfis de crianças e jovens que, com sua diversidade, nos torna mais fortes como instituição. A alusão às cores nacionais e ao Cruzeiro do Sul mantém, apesar das origens inglesas do Movimento Escoteiro, que somos brasileiros e que conhecemos e respeitamos nossa pátria com seus desafios e suas belezas. Com esta imagem renovada, apontamos para um futuro imediato onde o jovem brasileiro no século XXI pode se identificar com o maior movimento juvenil do planeta, juntar-se a ele, e construir um mundo melhor.

Sinceramente essa justificativa que temos é realmente complicada para tantas cores (um erro primário na construção de um logotipo) e tantos grafismos. Mas enfim, vejamos o que temos sobre essa questão. Um livro fantástico do Adrian Frutiger (sinais e símbolos) nos mostra muito bem essa questão, além do muito didático livro “Segredos para Um Bom Logotipo – O que você precisa saber antes de contratar um designer” de Mário Pertile cujos trechos que julgo serem os mais representativos reproduzo abaixo.

Logotipo não é apenas um desenhinho bonito, que o sobrinho que “mexe com essas coisas de computador” sabe fazer. O logotipo é a cara que a sua empresa vai mostrar na rua e é o primeiro contato do seu cliente com ela, então, se faz necessário uma série de cuidados estéticos, técnicos e mercadológicos para que sua mensagem seja transmitida e que você desperte o interesse em quem realmente interessa para sua empresa.

Dessa forma eu parto do princípio de alguns erros que o autor explica e que julgo estarem ocorrendo:

Primeiro erro: Misturar gosto com necessidade de mercado

Realmente espero que essa decisão de mudança não tenha sido arbitrada sem realmente pesquisarem a necessidade de uma mudança de uma marca tão consolidada no meio escoteiro quanto a UEB.

Segundo erro: Menosprezar a opinião do público-alvo

Houve pesquisas de intenção de mudança de logo ou mesmo algum concurso para promover um novo logotipo perante a comunidade escoteira?

Terceiro erro: Pensar pequeno, incluindo aqui o preço.

Novamente dizendo, um logotipo não é apenas um desenhinho bonito e sim a alma da empresa imbuída de todos os aspectos técnicos e subjetivos que ela precisa transmitir, sintetizados em um símbolo simples e de fácil compreensão. Há um grande trabalho intelectual e técnico antes de se chegar ao resultado final. É como eu disse logo no começo, não basta termos um software gráfico (que diga-se de passagem é apenas uma ferramenta de trabalho e não “a solução” dos trabalhos) temos que fazer a lição de casa antes.

Um outro problema que observei: o poder de síntese. Vejamos o que o mesmo autor fala sobre isso:

PODER DE SÍNTESE:

Um logotipo é composto por um símbolo e um conjunto de letras (algumas vezes apenas o conjunto de letras, outras só o símbolo com as letras integradas), que juntos formam a identificação gráfica da empresa no mercado. Um bom logotipo deve em primeiro lugar possuir um grande poder de síntese, transmitindo a posição e os valores morais e mercadológicos de sua empresa em seu símbolo, bem como o estilo de negócios que ela pretende, em poucos segundos.

Para isso é necessário que o símbolo do seu logotipo seja simples. Aqui não se deve confundir simplicidade com falta de cuidados estéticos. A simplicidade diz respeito ao formato, número de ideias e elementos apresentados, ao poder de síntese em si.

Quanto mais simples for o seu logotipo, mais fácil e mais rápido o consumidor poderá assimilar o ideal de sua empresa e por mais tempo ele ficará gravado na mente do seu cliente. Então tenha isso em mente: nada de querer socar tudo que já aprendeu do seu mercado no logotipo da sua empresa. Defina um conceito e, com auxílio do designer, sintetize isso da forma mais simples possível. Se você não souber como, ele saberá.

Agora analisando a justificativa do logotipo feita no manual mais detalhadamente:

Precisamos representar de forma direta o que somos e o que fazemos como escoteiros. Para tanto, foi criado um símbolo humanizado, espontâneo”[..]

Qual a definição para símbolo “humanizado” e “espontâneo”? Procurei no livro clássico de design do Adrian Frutiger (Sinais e Símbolos), e não encontrei o que seria “símbolo humanizado” nem “símbolo espontâneo”.

[…] e com cores alegres em uma sobreposição de perfis de crianças e jovens que, com sua diversidade, nos torna mais fortes como instituição.

Todos sabemos que muitas cores tornam um logotipo inviável. Nem me prolongarei em minha explicação sobre isso. Aprende-se isso no primeiro semestre em praticamente todos os cursos universitários correlatos. Recomendo entre tantos livros , o Sintaxe da linguagem visual de Donis A. Dondis. Sobreposição de perfis é muito complicado por sua impressão em determinados suportes. Um colega de profissão, me resumiu qual a essência do logotipo e esta lição eu nunca mais esqueci. Simplesmente me disse: “LOGOTIPO BOM É AQUELE QUE VOCÊ CONSEGUE IMPRIMIR ATÉ EM SABONETE”. Perfeito! Além do excesso de cores percebi que este logo tem muita semelhança (uma grande coincidência) com o logotipo da Girl Scouts of America. A diferença é que neste logo das bandeirantes americanas é usado apenas UMA COR , além de não haverem sobreposições e haver um distanciamento entre os rostos permitindo uma melhor identificação. Agora se usaram como referência este logotipo, eu pergunto: será que o logo da GS está bem resolvido graficamente? Nem tudo que se faz nos EUA é 100% garantia de qualidade né.

girlscouts

[…] A alusão às cores nacionais e ao Cruzeiro do Sul mantém, apesar das origens inglesas do Movimento Escoteiro, que somos brasileiros e que conhecemos e respeitamos nossa pátria com seus desafios e suas belezas.

Mil desculpas, mas achei um argumento muito fraco para justificar o excesso de cores e grafismos. O excesso de cores como já mencionei tal como muita informação gráfica reunida (rostos, mais cruzeiro do sul, mais flor de lis… ufa….) é um desastre para um logotipo… sua leitura tem que ser rápida e muito objetiva.

[…] Com esta imagem renovada, apontamos para um futuro imediato onde o jovem brasileiro no século XXI pode se identificar com o maior movimento juvenil do planeta, juntar-se a ele, e construir um mundo melhor.

É claro que não estou discutindo se um logotipo seria o causador de uma evasão ou inclusão de membros, seria no mínimo infantil de minha parte. O jovem tem que se identificar com a proposta e os valores passados pelo escotismo, que ao longo dos anos no Brasil vem perdendo membros. Um logo nesse tipo pode pouco representar, mesmo porque é muito fácil criar um logotipo destinado ao público leigo, para quem não teve alguma informação sobre o que é um logotipo claro que este apresentado está bem resolvido. O que temos em questão aqui vai além, vai na responsabilidade do profissional ou empresa que cria um símbolo que será o cartão de visitas, aquilo que representa a instituição. Vamos nos lembrar do exemplo do símbolo nazista. Um símbolo largamente difundido na segunda guerra mundial aceito por milhões de alemães e nem por isso significava algo bom.

naz

Vimos também o desastre com o logotipo da copa do brasil. Tão duramente criticado por todos os profissionais e completamente sem propósito e mesmo assim aprovado “não sei por quem”, criado “não sei para quem” e mesmo assim estará estampado em todos os materiais. Como disse, ao leigo tá tudo certo né, só quem “reclama” são os profissionais da área, vozes ínfimas se comparadas à grande massa. Uma curiosidade é que essas mesmas poucas vozes insatisfeitas, criaram uma página na internet (http://www.portal2014.org.br/desafio/sobre-a-campanha/ ) para que se crie um logo mais decente. Mas representa bem toda a problemática de corrupção e desorganização que o país passa até a copa.

copa

Enfim, como profissional estou, como disse no início, apenas preocupado com tratamento dado a algo que como definição, representa toda uma instituição… Me senti como se de repente eu olhasse a bandeira do Brasil e descobrisse que ela teria outras cores e outros formatos. Olhem abaixo dois exemplos. Uma solução limpa com muita unidade promovida pelas nossas irmãs da FBB. Sem excesso de cores, grafismos e sobreposições e com no máximo três cores. De excelente reprodução.

bandeirantes

Descobri que já existe uma outra associação chamada AEBP. Não sei se ela está na clandestinidade ou se perante a constituição brasileira é possível terem outras instituições escoteiras, mas não pude deixar de reparar o seu logotipo. Também sem excesso de cores, grafismos e sobreposições e neste caso, se descartarmos o fundo azul, com apenas duas cores. De excelente reprodução.

aebp

Não há como negar, nossos “hermanos” além de terem um papa também possuem na minha opinião uma belíssima reestilização. O logotipo da Asociación de Scouts de Argentina, também sem excesso de cores ou grafismos está com uma unidade incrível e também adotaram o cruzeiro do sul (pelo menos me parece, só que sem a quinta estrela).

scoutsarg

AUSÊNCIA DE MALHA CONSTRUTIVA:

Apesar de muitos profissionais torcerem o nariz para a construção de uma malha (ou grid), sabemos que a execução de um logotipo precisa estar apoiada em sólidas bases geométricas, o que lhe confere um caráter mais profissional. Mesmo com o advento da tecnologia computacional, os softwares vetoriais não conseguem por si só estabelecerem uma relação harmônica entre os componentes do logotipo. Essa parte que pode estabelecer é o profissional responsável pela elaboração da marca. Outro fator é que devemos entender que a marca poderá ser representada nos mais diversos suportes, muitos deles, dependentes de uma malha para sua correta construção. Principalmente no meio escoteiro onde muita coisa depende ainda das habilidades manuais e de cunho artesanal, imaginem a pintura de uma fachada de um grupo escoteiro, ou um troféu feito em couro com pirógrafo ou madeira entalhada…como resolveriam?

PARA FINALIZAR

Poderia aqui analisar o restante do manual de marca, mas paro por aqui. Prefiro citar Guilherme Sebastiany:

Se aceitamos o fato de que marcas são mais que meros desenhos e, a medida que comunicam valores e atributos, podem contribuir para o crescimento das empresas (aqui eu sugiro adaptar para entidades) que representam, devemos também aceitar que projetos mal elaborados podem igualmente prejudicá-las. Relatos de empresas que mudaram de marca e mudaram sua imagem para melhor ou pior não faltam. Portanto vale a pena sempre estudar antes de se enveredar inadequadamente por este mercado”.

Novamente peço desculpas se caso essa carta ofender a alguém, mas imagino que amigos ou mesmo irmãos de verdade não são aqueles que só dão tapinhas nas costas e sim que debatem, puxam a orelha se necessário, pois dessa forma demonstram preocupação carinho e respeito.

Minhas cordiais saudações do sempre irmão escoteiro.

Bibliografia

– Sistemas de Identidade Visual
Maria Luísa Peón
Coleção BaseDesign
Editora 2AB

– Sinais & Símbolos
Desenho, projeto e significado
Adrian Frutiger
Editora Martins Fontes

– Como Criar Identidades Visuais para Marcas de Sucesso
Gilberto Strunck
Editora Rio Books

– Projeto Tipográfico
Análise e Produção de Fontes Digitais
Cláudio Rocha
Coleção textosdesign
Editora Rosari

– O Efeito Multiplicador do Design
Ana Luisa Escorel
Editora Senac

E outros que citei dentro do documento.

18 comentários em “Designer aponta falhas em logotipo da “Escoteiros do Brasil”.

  1. Mas o novo logotipo da UEB beneficiou o curriculum da empresa do atual diretor-presidente do CAN. Afinal de contas, qual empresa não quer ter uma instituição centenária, com 80 mil associados, em seu portfólio? Assim como o novo vestuário, esta nova marca não serviu para nada mais além de promover algumas pessoas dentro do Movimento Escoteiro e afagar egos.

    1. Ricardo Machado, eu penso do mesmo jeito que vc. Comunicação estratégica de verdade, que é no que deveríamos estar focados, não temos. Nossa imagem é fraca, a sociedade acha nosso trabalho legal mas nem sabe de fato o que fazemos. Governo e empresas ignoram os grupos locais porque não sabem como fazer parcerias conosco. Continuamos sendo vendedores de biscoitos. Orgulho-me de ser escoteira mas tenho vergonha dessa corja que só quer se aproveitar.

      1. Olha, tenho a impressão de que um pequeno grupo começou a se aproveitar dos escoteiros; talvez por isso do ostracismo e da ignorância a respeito da instituição. Mas, vem cá, ninguém faz com a gente o que nós não permitimos, não é mesmo?

      2. Não é o caso de se deixar ou não. A estrutura administrativa e os estatutos da Ueb facilitam a permanência de determinado grupo no poder. A instituição tem eleições indiretas, na base de Colégio Eleitoral que, via de regra, votam na situação. O Conselho Nacional de Administração nada mais é do que um órgão para ratificar qualquer ato da Direção Nacional, sem maiores discussões. Aliás é o CAN que elege o diretor-presidente sem consulta aos associados e em decisões tão previsíveis que mesmo abrindo “candidaturas” ao cargo, simulando democracia, já se pode apostar tudo o que se tem no nome que será escolhido com muita antecedência. Os delegados dos Grupos Escoteiros para as assembléias votam em quem as diretorias regionais indicam e o cabresto eleitoral vai se mantendo até os altos níveis administrativos. Nas últimas eleições um site institucional publicou propaganda eleitoral para um político escoteiro. A ENIC (Equipe Nacional de Imagem e Comunicação) age como o ministério da propaganda de Goebbels promovendo os feitos da Direção e perseguindo qualquer iniciativa que não parta dela. Quem se revela oposição tem dois destinos: ostracismo institucional e/ou processos na Comissão de Ética. Quando os erros vem à tona, surgem dezenas de partidários colocando “panos quentes”, minimizando a situação é, claro, colocando a culpa em quem denuncia ou crítica à situação. Enfim, o Escotismo brasileiro hoje está sendo administrado por pessoas que há 20 anos se alternam no Poder e vão inserindo novos elementos para perpetuar o sistema. Então fazem um novo vestuário às escondidas, inventam uma consulta que nunca existiu (e Escotistas ligados ao sistema juram que os jovens dos seus ge’s responderam) e o impõe junto com o novo logo que foi desenvolvido gratuitamente pela empresa do presidente do Conselho Nacional que, a seu turno, não gosta do traje azul e do uniforme caqui. No frigir dos ovos, 80 mil estão sujeitos aos caprichos de 10 / 12 pessoas que realmente mandam e desmandam na instituição.

      3. Richmach, agradeço o esclarecimento. Realmente lamentável essa situação.

  2. Olá. Gostaria de saber se é MORAL alguém que é diretor de uma instituição séria como a dos escoteiros ter a sua empresa contemplada em realizar essa reestilização do logotipo. Não entrarei no mérito estético (aliás, parabéns a quem escreveu o artigo acima) e tampouco direi que é ilegal. Mas não é ilegal o nepotismo em órgãos públicos (e sei que os escoteiros não o são), contudo é IMORAL!

    E então, atitude é MORAL?

    Olha, como jornalista, começo a ver os escoteiros como uma fonte cada vez mais abundante de escândalos que poderiam chamar a atenção da opinião pública. Lamento que os escoteiros, em sua maioria esmagadora pessoas impolutas, estejam -a meu ver, e tomara esteja enganado-, parece, liderados por pessoas questionáveis.

    Lamentavelmente, em muitos casos o “parecer” supera o “ser”, e a imagem do escotismo no Brasil não passa da crivada por estereótipos equivocados por quem não conhece seu valor (vide recentes episódios tristes do uso da imagem dos escoteiros no mal fadado “BBB”; e a diretoria -“diretoria”?- ficou calada; engraçada que tentou macular o Mauricio de Sousa, da Turma da Mônica, quando este escreveu uma história em que elogiou o “ser” e o “parece” escoteiro).

    Acordem, escoteiros!

    1. Infelizmente, a política da UEB quanto ao marketing sempre foi medíocre e mal estudada. Não se percebe ação nenhuma, no sentido, de apresentar-se a sociedade de forma a fazer entender o que é o escotismo, qual sua metodologia e, principalmente, sua ideologia! Eu descordo de você quanto a por em dúvida a as pessoas que lideram o movimento (em se tratando de chefes de grupo e de tropas), pois tenho certeza de que o movimento escoteiro, no Brasil, só existe até hoje graças a esses abnegados! Ainda bem que não responderam (oficialmente) ao evento do BBB, pois duvido que fosse produtivo do ponto de vista do marketing e também duvido que a “assessoria de imprensa” da UEB estivesse capacitada para isso…

  3. Também tinha apontado várias das observações feitas. Ainda tinha observado que, na minha opinião, não tem Resistência Visual adequada. E as folhas de ofícios não ficam bem em reproduções “xerox”. Enfim: Por que mudar símbolos? São patrimônio coletivo, além de todo o seu estudo técnico, há o estudo simbólico a ser feito, de caráter psicológico. Ao meu ver foi uma mudança inapropriada. Assim como o novo vestuário poderia apenas ter aperfeiçoado os materiais tecnológicos do cáqui e não mudar cores, etc. Enfim… Uma grande pena.

    1. Essas mudanças (suspeitas) não foram inapropiadas para alguém; houve “beneficiários”.

  4. Quando a UEB fez a bobagem de mudar o seu logotipo de maneira tão radical e sem (mais uma vez) consultar a opinião do seu publico alvo, eu “previ” que isso seria apenas o início de uma série de mudanças equivocadas (a seguir pela forma de como foi feito a mudança do uniforme). Infelizmente acho que as coisas não irão parar por ai (já vimos a mudança dos distintivos), acredito que essa sucessão de equívocos ainda não chegou ao fim. Infelizmente é esperar para ver. Parabéns pelo texto, simplesmente ótimo.

  5. Que bom ver que há pessoas que realmente amam o ME, preocupados com o andamento dele. Sinto tanta falta de estar na ativa mas peguei birra por causa das pessoas que usam o movimento para se auto promover.
    Educação não é auto promoção, é missão de vida, e ajudar a tornar um mundo melhor. Infelizmente não é o que vejo.
    Não gostei da mudança do traje, sempre achei ele prático e com identidade própria. Pessoas tirando sarro sempre terão, mas isso não derruba um ideal.
    E esse logo, marca, seja lá o que for que eles fizeram, não me representa! O antigo é a cara do Brasil!
    Algumas adaptações sei que são necessárias, mas as que foram feitas foi mudar algo que não precisavam e deixaram o que precisa por fazer.

  6. Esses burocratas nogentos da UEB ao invés de se preocuparem em tornar o movimento mais acessível a jovens de baixa renda, aliás não é esse o objetivo do movimento, formar melhores cidadãos? Esses camaradas ficam mexendo no que não precisa!!! Bando de mané desocupados. Estão descaracterizando o movimento escoteiro no Brasil. Antes até mesmo alguém que nunca foi escoteiro sabia que aquele era o simbolo dos escoteiros do Brasil, estava consolidado. Agora ninguém mais sabe, até eu que fui sênior e pioneiro não reconheci quando ví pela 1ª vez, parece até que estão querendo remeter o escotismo a uma determinada minoria, só faltou o arco-iris. Simplesmente um absurdo!!!

    1. O maior absurdo é ainda termos pessoas preconceituosas em pleno século XXI, que vê proselitismo homossexual em qualquer coisa.

  7. ESPETACULAR ESSE TEXTO! A adoção do novo logotipo foi um dos maiores erros cometidos contra o movimento escoteiro do Brasil! Esqueceram-se que existe algo muitoi mais forte que o impacto comercial que existem em industrias. No escotismo, o que move seus voluntários é o amor, a dedicação, o sacrificio de anos e anos pelas pessoas que nos sucederam, formando um lastro de comprometimento com um ideal e uma imagem.
    Chega um grupo de profissionais de pouco ou nenhum comprometimento c/ o passado e nos enfiam goela à baixo, um logotipo faltando pedaço, de gosto duvidoso e c/ um significado questionável. Passam por cima como um trator, destruindo o que foi construído e que já havia conquistado seu lugar. Se não for incompetência profissional, é incompetência escoteira!
    Elmer S. Pessoa

  8. Só faltou dizer uma coisa com esse novo “logotipo”, que com ele agora se tornou padrão para todas as modalidades… a modalidade terra (re-batizada de modalidade básica), a modalidade do mar e a modalidade do ar, viraram uma só né, a básica. Nunca considerei, desde que era lobinho, o símbolos do escoteiro da terra, do mar e do ar como “logotipo”, mas como brasões. Tal como nossas forças armadas tem brasões, pois afinal são as forças armadas que trouxeram, criaram e difundiram na sociedade brasileira o escotismo.
    Só sei que não vejo mais a UEB e o que ela faz como escotismo, já varias pessoas que concordam com isso e criaram grupos e associações independentes, com a disciplina, ensino e educação antiga proveniente do escotismo.

  9. Gostaria de trocar email com o autor do artigo, não consegui identificar quem o escreveu.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s