Sobre gadgets ou…EIP!

Corro o risco de ser injusto com as inúmeras “tralhas” que os escoteiros carregam para cima e para baixo, seja ao ar livre, seja na cidade. Acontece que há muitas, ou melhor, muitos desses gadgets que podem nos servir no dia a dia de um acampamento e, por falta de espaço ou por ser uma questão  um tanto subjetiva no que se refere a utilidade, talvez não consiga citar todos aqui.

Tirando a brincadeira da “tralha”, todo escoteiro que leva ferramentas que facilitam sua vida (ou segurança), na verdade está contribuindo para seu E.I.P – Equipamento Individual de Proteção.


Começando por algo.

O primeiro desses equipamentos é justamente aquele que todos temos: o uniforme escoteiro, desenhado, na sua primeiras versões, para ser usado em atividades de campo (a ideia que Baden-Powell tinha para o que hoje entendemos como “traje” era simplesmente uma flor-de-lis na lapela; o uniforme idealizado por ele é uma vestimenta para atividades campestres).

O uniforme deve (ou deveria) ser resistente, bem ventilado e confeccionado para abrigar durante o inverno e ser fresco no verão. Não é à toa que o uniforme é o primeiro artigo do EIP, sendo adaptado em muitos países de acordo com o clima predominante na região.

Eu, por exemplo, em raras ocasiões tirei o uniforme para uma atividade. Mesmo o tecido brim sendo quente, é bastante resistente e eu o usava até na hora de cozinhar – e por isso ganhei uma bela gota de gordura na bermuda.

Junto ao uniforme, poderia ainda citar o uso do cinto, do próprio lenço, a inclusão de uma caderneta de campo, dog tag, caneta; poderia separar os itens para uso no campo e na cidade, mas deixemos isso para uma outra ocasião.


Báculo? Sim, ou bastão.

Poucos grupos mantêm essa, coloquemos assim, “tradição”. Mas não faz muito tempo, cada patrulheiro tinha seu próprio bastão, e não somente o monitor.

Foi publicado neste blog um arquivo com os diversos usos que podemos dar ao bastão escoteiro e os gadgets que poderiam ser incluídos nele. Vejam abaixo.

Clique na imagem para ampliar.

Assim como o uniforme completo, o bastão individual é um belo exemplo de EIP.


Ferramentas de corte.

Recomendo a leitura deste artigo, onde há dicas de segurança e, como não, sugestões para a escolha de uma boa faca ou canivete.

A princípio, para o equipamento individual, recomendaria um canivete do tipo suíço. Acreditem, vocês farão muito uso dele nos acampamentos e em casa.


Amarras. Para que te quero?

Assim como vocês, também aprecio fazer amarras com sisal ou cipó e praticar todas aquelas técnicas de pioneiria que aprendemos durante nossa vida escoteira. Porém, se você quiser uma construção rápida e resistente, que tal usar o item abaixo para as amarras?

Não tive a oportunidade de testar esse sistema de abraçadeiras de plástico, mas acredito que não há muito segredo nele. Alguém que tenha usado essas tiras, fica, desde já, gentilmente convidado a nos contar suas experiências.


Higiene pessoal.

Sempre quando trato sobre higiene pessoal, lembro-me daquele desenho de Baden-Powell, em que Joãozinho Pata-tenra não quer entrar na água; e de um capítulo do Opiniões de Delta, em que os monitores se queixam daqueles patrulheiros que se lavam com a ponta molhada de uma toalha.

Mas imagine que você esteja em uma jornada ou dentro de um veículo e queira fazer uma higienização rápida, ao mais puro estilo “banho de gato”. Para isso, existem lenços do tamanho de uma moeda de dez centavos, que se expandem com algumas gotas de água. Além da foto abaixo, vejam este vídeo para saber como funcionam.

Um cantil.

Tive dois tipos de cantil quando participava em uma tropa escoteira: um redondo de alumínio e um do tipo espanhol de couro cru – os dois muito bons e que me serviram bem enquanto duraram.

Para os que estiverem com as economias em dia, hoje há cantis como este da foto:

O cantil acima pode ser adquirido na Canteen Shop, uma loja americana especializada em artigos para bushcraft – com o frete e todo os utensílios, o preço ficava, até a data da publicação desse artigo, ao redor de 100 reais.

Para a nossa alegria, há uma variedade de marcas e preços de cantis no mercado brasileiro e você pode escolher o que mais gostar. Talvez, como medida de precaução, seria bom optar por aqueles materiais livres de BPA (observe a embalagem do cantil para informações), já que, com o tempo, pode se tornar tóxico para o usuário.

Além do cantil, se recomenda aos escoteiros que tenham seu caneco do tipo militar, como nos mostra a imagem abaixo.

Esse caneco, que se encaixa ao cantil, pode ser encontrado em lojas militares ou de camping por 20-25 reais e é um daqueles itens “faz-tudo”.

Opcionalmente, você pode adquirir um fogareiro para cantil, bastante útil em excursões e jornadas. Estes fogareiros estão entre 30-40 reais e fazem uma bela combinação com os combustíveis sólidos.

Antes de sair por aí gastando toda mesada ou todo o salário, você pode colocar sua imaginação para trabalhar e fazer um fogareiro para cantil com latas industriais de sardinha.

Na falta do cantil, uma boa garrafa pet ou um gomo de bambu podem servir. Eu mesmo já acampei muitas vezes usando garrafas pet e não há vergonha alguma nisso. Mais do que ter “o equipamento de moda”, é melhor ter um equipamento barato construído por você do que pagar absurdos por algum utensílio.


Cordão de velame.

Resistentes, confiáveis e úteis. Não são, assim, tão baratos, mas o recomendado seria que todo escoteiro levasse, ao menos, 2m em seu EIP. Sua utilidade vai desde uma simples instrução de nós até a construção de um abrigo.

Podem ser encontrados em lojas de camping e lojas de artigos militares e custam 2-4 reais o metro.

Quer ser ouvido? Apite!

Este artigo é um claro exemplo de equipamento de proteção.

O apito, que você só usará no carnaval e rezemos para que seja assim, é, sobretudo, um artigo para sinalização.

Imaginemos por um instante que, por azar, você se afasta de sua tropa em uma mata e se sinta perdido. Além de permanecer imóvel, se você tiver o apito poderá alertar os demais companheiros sobre a posição que se encontra.

Não há como recomendar uma marca de apito, mas caso fosse escolher, escolheria o “apito trovão”, cujo nome já nos diz tudo. O preço é salgado (40 reais) e, por regra geral, qualquer apito serve: o importante é que faça bem o que costuma fazer, ou seja, barulho…e alto.

Aqui vale uma nota. É provável que o seu Chefe estranhe que você e sua patrulha apareçam, de um dia para o outro, com apitos. Pode que ele, o Chefe, não saiba ou tenha se esquecido da utilidade desse item, além daquela que se refere a chamar a tropa, monitores, etc, etc. Além de explicar-lhe que o apito serve para sinalização, você só o usará em casos de emergência ou sob orientação da Chefia.
Mesmo sendo bonitos e com um som agradável, não se recomenda o uso dos apitos que imitem pássaros. Além de não servirem bem em um caso de urgência-sinalização, o uso contínuo em uma atividade perturba o descanso dos animais. Lembrem-se: o escoteiro quando acampa se adapta ao entorno, não interfere nele.

Ligh my fire.

Se pensarmos de maneira prática, é algo tolo levar uma pederneira para um acampamento, sabendo que temos isqueiros e fósforos. Os mais apressadinhos dirão que só a pederneira funciona molhada, mas acredito que todos vocês, como escoteiros, já aprenderam a impermeabilizar suas caixas de fósforos ou guardá-los em um estojo de segurança.

Mesmo assim, há uma desculpa melhor para se levar a pederneira para a vida ao ar livre. Além do preço (5-20 reais), durabilidade (ao redor de 3000 usos), existe a questão didática.

Baden-Powell conheceu muitas pessoas que viviam da floresta, estudando a arte que usavam (woodcraft) para inseri-la no escotismo. B.-P., em seus escritos, sempre nos incentivava a viver, aos menos por um final de semana, como um autêntico sertanista ou explorador. A pederneira, nesse sentido, ajuda na tarefa; contribui para que nos aproximemos da vida que, hoje, chamamos de primitiva. Não há nada melhor do que acender uma fogueira somente com uma faísca ou com a fricção entre duas madeiras.

No Brasil, podemos encontrar as pederneiras em qualquer loja de camping.

Enquanto escrevia, me veio à mente o kit de primeiros socorros, o cabo solteiro, a lanterna, a bússola, a plaqueta com dados médicos, o chapelão, o celular (sim, ele) ….e para que o texto não fique pesado ao leitor, paro por aqui.

Uma vez mais, lembro aos colegas que, além da importância do EIP, é importante também que vocês não gastem rios de dinheiro com equipamentos. Tentem fazê-los vocês mesmos.

Alguns desses utensílios serão impossíveis de construir, mas podem ser adquiridos por toda a patrulha, numa espécie de “vaquinha” ou arrecadação.

Procurem na internet por “equipamento individual” ou “EDC” (everyday carry) para ter uma noção do que adquirir ou construir para a sua proteção.

O praticante de bushcraft Giuliano Toniolo ensina, através de seu canal no youtube, a construir vários utensílios baratos para seu EIP. É uma visita recomendada.

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