Pioneiros: uma outra visão.

No dia 29/06 foi comemorado o dia do Pioneiro. Sem tanto alvoroço, é verdade, como seria um dia de São Jorge ou de São Francisco de Assis.

Mas há motivos, sim, para celebrá-lo, pois é de se admirar o trabalho de mestres e dos próprios pioneiros e pioneiras em ainda manter viva a chama desse ramo, que se houvesse uma maneira de medir, seria um dos principais do escotismo. É no ramo Pioneiro onde preparamos estes(as) jovens para que “tomem a partida” e, um dia, já podendo contar com uma vivência, possam retornar ao grupo para se juntarem aos adultos que se dedicam à causa escoteira.

Baden-Powell, no livro Escotismo para Rapazes, narra a história de uma tradição indígena, onde o rapaz a certa idade era pintado de branco e jogado na selva sozinho, apenas com um escudo e uma lança. A tinta durava um mês e era impossível lavá-la. Durante esse período, caso alguém o encontrasse, era orientado a matá-lo. Se o jovem conseguisse sobreviver durante este mês até que a tinta desaparecesse, ele seria recebido por sua tribo como um guerreiro e isso era motivo de alegria entre os indígenas.

Claro que a prática é cruel, mas a tradição pode ser lida como exemplo do que ocorre no ramo Pioneiro, onde lhes preparamos para enfrentar a “selva”, para logo voltarem como guerreiros (adultos) ao movimento escoteiro.


A plenitude do ramo
A maior discussão que ocorre, hoje, no movimento escoteiro é a fórmula (por chamá-la de alguma maneira) de se “cooptar” adultos comprometidos. Inclusive existe a premissa de que é impossível obter um voluntariado que não seja o já existente no próprio movimento. E partindo daí, há os que instruem pioneiros para que sejam chefes.

Se me é permitido opinar sobre esse assunto, o ramo Pioneiro não deve, ou não deveria, servir de escola de chefes, mas, sim, ser vivido em sua totalidade; ser aproveitado ao longo da faixa etária que é atribuída ao ramo. E mesmo que lhe seja permitido a um Pioneiro ser chefe, ele ainda precisará entrar na “selva” para que possa adquirir vivência e, aí sim, terá o que ensinar aos garotos e garotas mais novos.


Mão de obra Pioneira?
Muito se fala no lema Pioneiro e em todo o significado que gira ao seu redor. A máxima é a de SERVIR, ou seja, a de deixar que eles, os pioneiros, sirvam, o que é diferente de servir-se do ramo.

Quando o ramo aparece em comunicados de nossas instituições ou em listas de e-mails, sempre se fala sobre seus trabalhos junto à comunidade, mas não dedicamos muita atenção ao preparo do Pioneiro para o “servir”.

Deixamos, por exemplo, que pintem escolas, construam cercas, mas não lhes instruímos a participarem de cursos do SENAI para que possam, então, fazer um trabalho de carpintaria ou de marcenaria e melhor ajudarem a comunidade.

Há alguns meses, recebi um relato de um pioneiro que, junto ao seu Clã, participou da construção de um banheiro para uma escola. Ao acabar o serviço, o pioneiro “sentiu-se envergonhado pelo trabalho que tinham feito, pois a construção estava precária, torta e não duraria muito”, segundo suas palavras.

Ao terem passado pelo sistema de especialidades nos ramos menores, os pioneiros a esta altura terão desenvolvido interesses por diversas áreas. E nestas áreas, e já com alguma prática, é onde o pioneiro poderia ajudar sua comunidade. Ou, como alternativa, passarem por workshops, cursos ou palestras antes de “colocar a mão na massa”. Em suma, dar-lhes ferramentas para que possam cumprir o lema do ramo: servir.

Sugestões
Tratando-se de preparar o pioneiro para a “selva”, circulou nestes dias um interessante texto sobre um dos capítulos da vida que ele, se não passou, passará em breve: a entrevista. O texto é recheado da camaradagem e bom humor escoteiro e por isso, entre outras coisas, vale a leitura:

O texto é um seguimento à situação que iniciei no e.mail “DIA DO PIONEIRO”, na parte em que informo que, na Itália, é justamente a época do “exame de maturidade”. Se você chegou nela, ou ainda lhe falta. Ao texto? Ei-lo.

Admita que além do conhecimento social, você deva demonstrar que adquiriu maturidade no diálogo com os adultos.

A seguir alguns dos pontos que poderiam ser evitados.

De fato, além da preparação acadêmica, alguns comportamentos que você poderá ter vivenciado nas reuniões de Corte de Honra e Conselhos você deverá considerar que entram outros fatores no jogo do diálogo.

Escolha um look adequado – não se sabe a priori como pensam os comissários examinadores.
Melhor uma vestimenta sóbria, que não chame muito a atenção, e que não exiba as preferências políticas. Nada de “kefiah” de “percings” e de calças curtas.

Procure pensar na própria posição a ser tomada na cadeira. Não cruzar as pernas sob a cadeira, ou joelhos unidos e a mão apoiadas nas coxas. Diz-se que demonstra pouco interesse ou “temor reverencial” em direção a quem lhe está de frente.

Olhe nos olhos dos interlocutores. Se se sentir “desconfortável”, olhe para o nariz do mesmo e não às pupilas.

Tenha a certeza de ter entendido a pergunta antes de responder. Para tomar tempo e organizar a resposta, devolva a pergunta. Exemplo:
– Quem descobriu o Brasil?
– O Brasil foi descoberto (devolução da pergunta) por Baden-Powell (lapsus pioneirus).

Não responda nada mais do que perguntado!
– O Brasil foi descoberto por Baden-Powell em 21 de abril de 1500!
O examinador, ao ver tanta erudição, poderá fazer-lhe uma posterior pergunta que você não saberá responder: “ O que fazia a Mestra Pioneira Mara Macedo na ocasião??”

A pergunta acima pode “piorar” ainda mais com:” – Em qual parque estava o Engenheiro Florestal e também Coordenador do Núcleo Bandeirante “Piratininga’, o Sr Marcus Alexandre Pires??”

Mostre-se educado/a e maduro/a. Use um tom na voz que seja seguro e adequado.

Para evitar “causar má impressão”, evite os comportamentos de “recolhimento”. Não mantenha seus braços cruzados, pois esta posição transmite o seu encapsulamento em direção aos seus interlocutores.

Não se apoie na mesa da comissão, ou pior, jogar os braços por sobre a mesa. Tal atitude é uma “invasão de campo”. Portanto, mantenha-se no “seu” campo.

Se você não conhecer a resposta a pergunta … não a invente. Se você não domina o assunto diga claramente que não sabe. Há a possibilidade de uma forte “apelação” para o fato de que você se esqueceu porque está emocionado/a.

Não se sobreponha ao entrevistador e no término não ouse perguntar “Como foi??”.
Tal pergunta é tão ruim ou pior do que o “–Foi bom pra você ??”, asneira dita em outras ocasiões.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s