Às vezes dedico bastante tempo lendo os artigos da coluna de Arturo Reyes. Além de ser um contundente crítico da associação mexicana, seus artigos não deixam de divertir o leitor e sua coluna no jornal mexicano Milenio (convenhamos, uma verdadeira conquista ter um espaço em um periódico para falar sobre escotismo) é leitura recomendada. Ainda mais quando ele, AReyes, relembra aqueles dias de aventuras escoteiras, quando pegar um resfriado em acampamento ainda se considerava um ferimento de “guerra”.
Os exploradores.
Lembro-me desse acampamento por três razões: um colega de tropa, uma tempestade e uma jornada.
Naquele tempo, ainda sentia facilidade em levantar-me pela manhã com toda a disposição do dia anterior. E assim foi, ainda estava escuro quando peguei o primeiro dos dois ônibus para chegar até a sede. Se havia algo que me dava orgulho de ser escoteiro, era o distintivo de Patrulha (a minha era a “Leão”) que caía como uma luva no uniforme caqui. E como eu gostava de andar com aquilo no ônibus!
Passadas aquelas brincadeiras de recém-chegados à sede, aparece o chefe, nos coloca em forma, passa as instruções e, finalmente, nos coloca a caminho.
Vou poupar o leitor do trajeto em ônibus até o local de acampamento. Para aqueles pedestres éramos escoteiros e estávamos indo acampar.
Chegando nos limites do que parecia ser uma mata fechada, o Chefe anuncia que teremos uma jornada até o local onde faríamos o pernoite.
Pensando agora neste chefe (Alfredo era seu nome), ele não deveria ter mais de 26 anos. Talvez tivesse mulher, filhos, hobbies, talvez gostasse de ocupar seu sábado com outras coisas; mas naquela nossa idade de 11 anos, nem eu nem meus companheiros estávamos interessados nisso.
A Jornada e o colega.
Aquela jornada pareceu não ter fim (como toda boa jornada) e nos divertíamos nos descansos, rindo uns dos outros pelo vapor que saía das nossas cabeças causado pela condensação.
A jornada, outra de muitas, não chamava tanta atenção. O que chamou a atenção foi um ataque de asma que teve um companheiro de tropa na metade do caminho. Engraçado foi o “tratamento” que demos a ele. Simplesmente paramos para descansar, o distraímos com algumas piadas e, cinco minutos depois, lá estava ele subindo a trote a ladeira até o local de acampamento.
Baden-Powell nisso também tinha razão. Uma vida sã não se trata somente de fazer exercícios, mas de viver em um ambiente de camaradagem. O bem-estar psicológico é tão importante quanto o físico. O nosso companheiro que tinha asma teve apenas um momento de ansiedade e se apoiou (e lá estávamos nós) em seus companheiros de tropa.
Hoje, provavelmente, correríamos para consultar o programa e diríamos: “onde está o didatismo nisso?”. O sistema de patrulhas e o método escoteiro são conduzidos por um adulto e, depois que a tropa “pega o jeito”, são auto-aplicáveis. Não há melhor exemplo didático do que esse sistema e esse método, que ensina a generosidade, camaradagem, a vida em sociedade e, sobretudo, a auto-suficiência. Programas e afins são importantes, mas se comparados ao método escoteiro e ao sistema de patrulhas, não passarão de efeitos de pirotecnia.
A tempestade.

Talvez essa tenha sido a cena que mais me marcou quando era membro juvenil. Lá pelas tantas da madrugada, acordei perto da fogueira e notei que meus companheiros se apertavam baixo um toldo (sim, sem barracas) a uns dois metros adiante. Preferi ficar por ali mesmo.
Quando voltei a acordar, baixo um céu estrelado, só conseguia escutar os gritos e os lamentos. Notei de imediato que as chamas da fogueira moviam-se como loucas e que as árvores, pinheiros de vários metros, mexiam-se como se fossem feitos de gelatina e estalavam como se estivessem prestes a cair. Não era uma tempestade como a que conhecemos; o céu, como mencionei, estava estrelado, mas o vento era tão forte que assustou (mesmo que ele não concordasse horas mais tarde com isso) até nosso chefe.
Tão rápido como começou, o vento parou. E então veio o momento de algumas brincadeiras (todas para provar que não tínhamos medo e éramos homens fazendo piadas do perigo) até o sono nos cobrir novamente.
O articulista e o compilador desta tradução nos deixaram vários “objetos ocultos” nos fatos relatados.
A leitura dinâmica do texto, a sofreguidão em entender-lhe a situação poderá fazer o/a leitora perder as pérolas de sabedoria contidas.
Lembrem-se DO VISTO E OBSERVADO.
Na verdade, caro Valente, o artigo não foi traduzido. É apenas uma crônica de um dos vários bons momentos que passei em uma Tropa de Escoteiros rs.
Um abraço.
Vou poupar o/a leitor/a de ler sobre o “bordel”que devo ter feito confundindo as pessoas. De qualquer maneira, quem tenha escrito ou compilado deixou “perolas de sabedoria” dentro do texto. Bons caminhos.