Há algum tempo me dispus a escrever resenhas de alguns utensílios para acampamento encontrados e adquiridos durante os anos. Por um motivo ou outro, posterguei essa new entry que poderia (e poderá) ter o blog.
Após a participação deste blog no Joti, a qual se deve a um simpático convite vindo de Minas Gerais, retomei a ideia e me senti confortável para fazer uma resenha, não de utensílios, mas de uma atividade que aconteceu nestes dias – o Joti 2011.
Um pensamento.
Sempre será complicado, seja no meio escoteiro ou qualquer outro segmento, expor certos questionamentos, já que a priori não estamos preparados ou acostumados a recebê-los. Aqui cabe uma boa ideia e uma boa lembrança: a Lei Escoteira gira ao redor, entre outras qualidades, da empatia: mais ou menos seria como se você se colocasse no lugar de outrem. Por isso, antes de qualquer crítica ou qualquer questão que queira levantar, coloque-se no lugar de outra pessoa e observe se aquelas críticas não te ofenderiam caso fossem dirigidas a você. Pense, também, que estamos na internet, onde somos reféns de certas barreiras na comunicação, que podem levar a um desentendimento ou má interpretação das expressões escritas. Mesmo assim, exercitemos nossa capacidade de receber críticas ou questionamentos, já que fazem parte de todo o processo democrático.
Dito isso, vamos ao conteúdo que dá título a este artigo. Para uma melhor organização, se vocês me permitem, vou dividir as impressões sobre o Joti-2011 (em sua versão lusófona) em prós e contras.
Prós.
- Atividades e tarefas. Foram excelentes. Variadas, atrativas, enfim, como manda o manual da boa programação. Ainda me recordo com simpatia do “Dagnésio” (o fujão) e de todos os vídeos gravados pelas bases.
- Participação. Pelo que se lê, o que marcou esta atividade foi a excelente participação dos escoteiros. Aqui também vale ressaltar a dedicação patente nas tarefas apresentadas. Notava-se claramente, através dos vídeos postados, o ânimo de escoteiros e escoteiras enquanto resolviam as provas.
- Preço. Disso podemos falar pouco. A atividade foi gratuita. O certificado de participação, até onde se sabe, será emitido gratuitamente e o grupo somente terá que arcar com o preço dos distintivos. Boa também foi a iniciativa de colocar os distintivos à venda antecipadamente e não somente para aqueles que participaram do Joti.
- Duração. Quando o Joti termina, sente-se a necessidade de mais. Ou seja, o Joti deixa saudades, pois é um expoente daquilo que chamamos “bom uso da internet escoteira” ou da ideia de “nunca o vi pessoalmente, mas sei que somos irmãos”. Duração perfeitamente programada.

Contras.
- Servidor. Este problema foi vivido por todos. O servidor do Joti caiu várias vezes, dando “sinais de pista” de que não estava aguentando o fluxo de informações. Finalmente acabou ficando fora do ar, o que deixou os participantes frustrados. É bom lembrar que muitos grupos estavam acantonados em suas sedes e que esse período “morto” do Joti talvez tenha desanimado aqueles que queriam seguir cumprindo ou subindo as tarefas durante o período em que o servidor esteve offline.
- Não esperávamos tantos. Um dos principais motivos da queda do servidor foi a alta participação dos, segundo dados do Joti, 11 mil escoteiros. A coordenação alegou que não esperava tantos participantes. Mesmo assim, deveríamos trabalhar como sempre trabalhamos em nossas atividades escoteiras: contemplamos a hipótese de algo dar errado e suprimimos esta possibilidade. A hipótese de haver um excesso de participação não era remota (levando-se em conta o tipo de atividade) e poderia ser solucionada com um “plano b”, que, neste caso, não existiu. Poderiam ter preparado um ou mais servidores de backup para a atividade ou talvez terem contratado um serviço de hosting melhor; sem esquecer, é claro, da contratação ou, ao menos, a participação de profissionais do ramo que pudessem dar total assistência, evitando que a atividade fosse comprometida.
- Tarefas. Mesmo sendo atrativas, ao meu ver foram por demais complexas para muitos dos jovens que estavam nas bases. Basicamente as tarefas teriam que ser cumpridas por um perfil de garoto ou garota que boa parte dos grupos não possui, ou seja: alguém que tivesse uma filmadora ou câmera digital com opção de gravar vídeo e alguém que tivesse nível intermediário em programas de edição de imagem, áudio e vídeo. Isto, mais uma vez, seria (ou deveria ser) como nossas atividades no dia a dia escoteiro: são feitas pensando na capacidade intelectual e física de cada idade e de cada membro, ramo, tropa ou patrulha.
- Comunicados. Quando o servidor estava comprometendo o andamento da atividade, é de se estranhar que não fossem feitos comunicados por e-mail. Ao ser indagado sobre esta questão, o coordenador da base disse que os comunicados estavam sendo feitos em uma lista de discussão do portal Yahoo. A informação, nesse caso, não deveria ser restringida aos usuários de uma lista de discussão. Com os e-mails fornecidos no cadastro do Joti-2011 se monta, ao meu ver, um mailing o qual devemos usar justamente para manter os participantes informados.
O conteúdo desses comunicados também não era lá dos melhores. Alguns partiram da premissa que “por ser uma atividade feita por voluntários e gratuita, era comum acontecer erros”. Este argumento, se o estendemos para o meio escoteiro e suas atividades ao ar livre, por exemplo, pode ser uma faca de dois gumes.
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Conclusão.
Mesmo o Joti estando a ponto de ser comprometido, foi uma excelente atividade. Como diz o método: aprender fazendo. Ou seja, erramos para aprender a fazer melhor.
Os bons momentos servem para a fraternidade, para serem relembrados ao pé do fogo, para serem contados aos nossos parentes e amigos que não fazem parte do movimento escoteiro.
Os erros, por mais que não gostemos deles, são valiosos para nosso crescimento e nunca devem ser esquecidos. Por isso, congratulemo-nos pela ótima participação no Joti, pela alegria vista nas bases, pela empolgação de garotos e garotas, mas não nos esqueçamos dos erros, pois é por intermédio deles que aprenderemos a fazer melhores atividades.
A “ligeira” derivada (pensar em ir por um caminho, mas seguir por outro faz parte do afã que se tem em comentar com so demais as coisas que, no movimento, nos dão prazer.
Pensou-se em ir em “EIP”s e conexos e se saiu pela atividade JOTI, o que, certamente, ir pelo JOTI é muito bom para o 2012.
Falemos mais sobre o JOTI. Comentemos sobre a rede “scoutlink” e o programa mIrc. Tutoriais. “QSL”s ( cartões de resposta) adaptados dos radioamadores.
“unimos os escoteiros e as bandeirantes pelas ondas da internet”
Ratifico a opinião sobre a complexidade das tarefas. Os organizadores devem lembrar-se que há escoteiros com 11 anos e patrulhas onde esta idade é a maioria. As tarefas estavam adequadas para seniores e pioneiros, e olhe lá!
Pensando no objetivo do JOTI, que é ser um grande encontro via Internet, digo que o Jamboree Puzzle da WOSM foi o jogo ideal para promover a integração dos jovens (a gincana lusófona não!), pois ao entrarem em contato uns com os outros (em diversas ínguas) para trocarem códigos, aproveitaram para saber nome, GE, localidade, entre outras coisas. Isso sim é o JOTI!
As tarefas do JOTI lusófono foram muito bem elaboradas e com um caráter técnico elevado (isso não se pode negar), mas não são para este tipo de evento.
Lamento e espero que o JOTI lusófono seja repensado.
Edmundo Schychof Jr
302SP GE Lady Olave Baden Powell
Tropa Escoteira Mista Muriqui
Há um problema sério dentro da UEB: equipes são formadas, em geral, não pela capacidade técnica das pessoas, mas sim por laços de amizade e outros tipos de relacionamentos.
A sobrecarga do servidor, seguida de uma mudança às pressa para a hospedagem do Distrito Escoteiro de Canoas, comprovam que a equipe não tinha um plano de contingência, não contava com nenhum tipo de imprevisto.
Como sempre ouço nos cursos de formação: “somos voluntários, mas não amadores”. Portanto, profissionais não esperam acontecer para depois ver como se resolverá. Em TI prevemos sempre o pior cenário, nos preparamos para ele e, caso não venha, ótimo. Não foi o que aconteceu neste JOTI.
Mas, pior do que os problemas do servidor, foi a coordenação vir à público e dizer que o “crash” era um “ponto positivo” porque isto era sinal de que havia muitos participantes. Mais inadequado ainda foi a insistência de nos lembrar, á todo momento, que a equipe era de voluntários (como se todos não fossemos) e que a atividade era gratuita. A impressão que passou foi “não ganhamos nada para fazer isto, vocês não pagaram nada, então parem de reclamar”.
Sobre as tarefas, o conceito de atividades “atraentes, progressivas e variadas” foi ignorado. A chiadeira dos jovens no perfil de um dos coordenadores mostra que videos em demasia não estavam agradando. Por outro lado, exigia-se um nível de conhecimento de algumas ferramentas para processamento de áudio, vídeo e imagem que poucos jovens têm (vide as tarefas da dublagem e do jamboree, que exigia o uso de photoshop, por exemplo).
Mas se colocamos isto para a equipe, qual é a resposta? Esta: “os jovens de hoje são verdadeiros experts em informática,não têm nenhum problema em utilizar ferramentas avançadas”.
Falácia da brava.
Em 90% dos casos, sendo generoso, quem fez as edições, quem pegou tecnicamente no “pesado”, foram adultos. As bases que não contavam com alguém conhecedor destas ferramentas não fez absolutamente nada.
Por fim, a política escoteira de não apontar falhas prevalece: em listas e comunidades escoteiras falam de um JOTI que eu, sinceramente, não participei. Tudo saiu perfeito, as tarefas foram incríveis e quando alguém ousa mencionar a palavra “erro” logo é corrigido: “erros não, são oportunidades de melhoria”.
Enquanto prevalecer este tipo de postura complacente com as falhas, este critério de “feudos” entre amigos, namorados, etc,, além de patrulhamento ideológico, isolamento de quem ousa divergir, pouca coisa irá mudar.
Infelizmente, trazemos uma herança dentro da UEB da época de Getúlio Vargas e dos Governos militares que apoiaram o ME, onde só havia um caminho possível: ser “situação”.
Me agradaram artigo e comentários. Ficará gravado o “somos voluntários, mas não amadores”. Sou Escotista.
De modo geral, olhando para o “próprio umbigo”, gostei do meu primeiro JOTI. No entanto, lendo o artigo, ratifiquei minha idéia de que não foi uma atividade para todos, em se tratando de alcançar os objetivos da Gincana. Quanto aos objetivos gerais do JOTI, creio que proporcionou muita integração, mais notadamente dentro das próprias bases. Seja como for, sabíamos que estávamos lá e havia outros espalhados fazendo a mesma coisa.
Sim, os problemas devem servir para um “JOTI 2.0″, com upgrades e correções. Cabe àqueles que podem ajudar nisto se prontificarem. Particularmente, já me voluntariei através da pesquisa pós-evento lá no sistema. Deixei minhas impressões sobre os problemas, com sugestões para solução e detalhes técnicos. Sou da área de TI.
Quanto a questão das atribuições por indicação, segundo crê o colega Ricardo, me parece o mesmo mal dos “cargos de confiança” no governo. Não tenho massa crítica para discernir sobre isso, mas uma boa maneira de conseguir material humano seria procurar por técnicos dentro da própria UEB (leia-se “membros adultos registrados”). Também não sei se isto é feito, mas, certamente, há pessoal de TI qualificado dentro do quadro de milhares de registrados da UEB, Brasil afora. Divulgação no site nacional e circulares seria o suficiente para o “se fazer saber”.
S.Macedo aborda com grande maturidade e sem nenhum *estrelismo* um possível caminho proativo.
A titulo de informação, pelo passado ja deveríamos estar no minimo em JOTI 5.0 beta.
A cada ano são dispensados os kilos de experiencia adquiridos.
Se Macedo assim desejar é possível juntar as duas áreas: a TI e alguma vivencia no tema.
Se nada der, dará uma bela base de 2012 da Unidade Escoteira na qual Macedo estiver colaborando.